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Vol. 42. Issue S2.
Pages 563 (November 2020)
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TROMBOSE E SANGRAMENTO EM PACIENTES COM COVID-19
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S.D.P.A.F. Sampaioa, M.H.S. Duraesa, C.C. Sartorioa, S.H. Hiraiwaa, A.C.L. Vasconcelesa, L.L. Frutuosoa, N.C.S. Misaela, M.P. Françaa, F.Q. Bastosa, F.D. Xaviera,b
a Hospital Universitário de Brasília (HUB), Brasília, DF, Brasil
b Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil
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Objetivos: Há um estado de hipercoagulabilidade associado à COVID-19. TEP (19-33%), TVP (58%), microtrombos em capilares alveolares (45%) e glomerulares (27%) foram descritos em autópsia. Esses casos cursavam ainda com várias comorbidades. Assim, este estudo objetiva avaliar as taxas de trombose e sangramento, bem como a necessidade transfusional, nos pacientes que internaram com COVID-19, comparando o grupo que faleceu ao grupo que teve alta. Materiais e métodos: Estudo retrospectivo, consecutivo, baseado na revisão de dados clínicos e laboratoriais. Dos 139 pacientes que internaram no HUB-UNB/Ebserh com COVID-19 no período de 16/04/2020 a 09/08/2020, 31 foram excluídos por ainda estarem internados e 5 altas por falta de dados. Os parâmetros TP, TTPa, trombose ou sangramentos documentados, transfusão de hemocomponentes, uso de heparina plena ou profilática; e comorbidades foram comparados entre os 53 pacientes que faleceram e os 50 que tiveram alta no período. Realizada análise univariada por Mantel-Haenszel pelo STATA12.0. Resultados: Trombose documentada ocorreu em 30,2% dos pacientes que faleceram, destes 17,6% TVP, 41,1% TEP, 5,9% IAM e 23,5% DAC/AVC, enquanto no grupo alta ocorreu em 10% (20% TVP, 60% TEP e 20% IAM). Sangramento ocorreu em 49,1% dos óbitos e 16% das altas. Suas causas foram: 34,6% trato gastrintestinal (TGI), 23,1% trato urinário, 15,4% punções/cateteres e 15,4% oral, no grupo óbito; e 37,5% TGI, 37,5% de punções/cateteres, 12,5% hematúria e 12,5% traqueostomia, no grupo alta. Trombose (OR = 4,5, p = 0,0066) e sangramento (OR = 5,05, p = 0,0004) ocorreram mais nos óbitos. Não houve diferença nas taxas de transfusão entre os grupos óbito e alta: hemácias 49% vs 33,3%, plaquetas (13,2% vs 4%) e plasma (4% vs 4%). Alargamento de TP e TTPa foram mais frequentes no grupo óbito (60,4% vs 14%, p < 0,001; 69,8% vs 32%, p < 0,001). O uso de heparina profilática e terapêutica foi maior no grupo óbito (60,5% vs 46%, p < 0,01; 34,9% vs 14%, p = 0,0003). Dos pacientes transfundidos, 59,3% (16/27) e 27,8% (5/18), tinham descrição de sangramento, respectivamente, nos grupos óbito e alta. A associação de comorbidades e trombose ou não, não foi diferente entre os grupos. Heparina profilática associou-se com eventos trombóticos no grupo óbito (OR:4.65, p = 0,0310, IC 95% 0.068391-0.972811), mas não no grupo alta. O alargamento de TP foi associado a aumento do sangramento no grupo alta (OR = 9,75, p = 0,0018). Discussão: Conforme descrito na literatura, o estudo atual também demonstra associação significativa entre óbito e trombose (p = 0,0066). A taxa de TEP (12,4%) nos pacientes que faleceram foi inferior à literatura (19-33%) e provavelmente está subestimada pois pacientes graves instáveis não puderam realizar angiotomografia. Diferentemente da literatura, o presente estudo demonstra altas taxas de sangramento na COVID-19, não relacionadas ao uso de heparina, que implicaram em transfusão (30% grupo óbito e 10% grupo alta). Conclusão: Eventos tromboembólicos e sangramentos ocorreram mais significativamente nos pacientes com COVID-19 do grupo óbito do que do grupo alta. Não houve diferença nas taxas de transfusão entre os grupos. Uso de heparina não aumentou sangramento nos grupos. Assim, são necessários estudos para avaliar se a anticoagulação terapêutica universal poderia reduzir os eventos trombóticos e a mortalidade associada à trombose, sem aumentar o risco de sangramento.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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