
Analisar o perfil dos procedimentos de plasmaférese realizados pelo serviço de aférese terapêutica.
Material e métodoEstudo descritivo e exploratório com abordagem quantitativa. Análise retrospectiva e analítica realizada no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará, entre o período de janeiro de 2020 a dezembro de 2021. Os dados apresentados foram coletados a partir dos registros preenchidos em cada procedimento e tabulados em planilhas de excel mensalmente. As variáveis estudadas foram: indicações, gênero, número de sessões, líquido de reposição e reações adversas relacionadas aos procedimentos.
ResultadosNo período em estudo foram realizados 1.058 procedimentos, atendendo 203 pacientes. As principais indicações foram: síndrome de Guillain Barré 38 (18,7%), neuromielite optica 34 (16,7%), rejeição mediada por anticorpo em transplante renal 20 (9,8%), recaída de glomeruloesclerose segmentar focal pós transplante renal 20 (9,8%), púrpura trombocitopênica trombótica, (PTT) 17 (8,3%), miastenia gravis 16 (7,8%), encefalites imunes 13 (6,4%), mielites 11 (5,4%), vasculites 11 (5,4%), esclerose múltipla 6 (2,9%), síndrome de Isaac 3 (1,4%), hiperviscosidade 6 (2,9%), esteatose hepática da gravidez 4 (1,9%), síndrome de Goodpasture 1 (0,5%), Anti HLA pré transplante de medula óssea 1 (0,5%) e hipertrigliceridemia 1 (0,5%). Do total de pacientes, 76 (37,4%) eram do sexo masculino 127 (62,5%) do sexo feminino. O líquido de reposição mais utilizado foi solução salina com albumina, em 851 (80,4%) das sessões. As principais reações adversas foram: hipotensão, parestesia e tremores, prurido e urticárias quando no procedimento foi utilizado o plasma como líquido de reposição. O serviço teve uma média mensal de 44,08 procedimentos.
DiscussãoA plasmaférese é uma técnica que permite remover o plasma através de equipamento automatizado com finalidade terapêutica. Esse componente é substituído por outra solução de acordo com a indicação, acontecendo uma troca plasmática e retirada de anticorpos e/ou toxinas. As indicações são baseadas no guideline da ASFA– American Society for Apheresis . O número de sessões é definido de acordo com a recomendação estabelecida no guidelin e e conforme avaliação do médico hemoterapeuta e equipe assistente. Foi observado uma diferença significativa em relação ao gênero, provavelmente relacionado ao caráter imune das principais indicações e a relação das doenças autoimunes com o sexo feminino. A plasmaférese é um procedimento capaz de reduzir a morbidade e mortalidade do paciente crítico. O grande número de procedimentos realizados mesmo durante a pandemia pode estar relacionado à redução da disponibilidade de imunoglobulina humana no Brasil nos últimos anos.
ConclusãoNeste estudo, observamos aumento do número de procedimentos de plasmaférese durante a pandemia de COVID. O número de atendimentos foi maior ao sexo feminino do que ao sexo masculino e o líquido de reposição mais utilizado foi solução salina com albumina. Os procedimentos foram realizados ambulatorialmente e no âmbito hospitalar, tanto em unidades COVID, como em unidades não COVID, garantindo o acesso à aférese terapêutica nos casos em que ela foi necessária.