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Vol. 42. Issue S2.
Pages 519-520 (November 2020)
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AVALIAÇÃO DAS SUBPOPULAÇÕES LINFOCITÁRIAS T, B E NK EM PACIENTES COM COVID-19 GRAVE ATENDIDOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
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D.C. Oliveira, Y.C. Schluga, B.S. Spiri, J.L.P. Justus, M.T.L. Rocha, E.A. Martins, H.P. Morales, A.P. Azambuja
Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR), Curitiba, PR, Brasil
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Introdução: A pandemia provocada pelo novo Coronavírus (SARS-CoV-2) é um marco na história recente. Os pacientes com COVID-19 podem ter doença leve ou mesmo assintomática, doença moderada ou uma doença grave que requer hospitalização e ventilação mecânica (VM). No entanto, na COVID-19 grave as características e o papel da resposta imune, bem como a maneira como essas respostas se relacionam com as características da doença permanecem pouco compreendidos. Objetivo: Realizar uma análise comparativa e observacional em pacientes com COVID-19 grave atendidos pelo Complexo Hospital de Clínicas – CHC-UFPR, avaliando se existe correlação entre a subpopulação linfocitária na admissão hospitalar e a evolução clínica destes pacientes. Materiais e métodos: Foram incluídos no estudo indivíduos internados por COVID-19 grave, de ambos os sexos e sem indícios de pneumonia bacteriana, atendidos no CHC-UFPR entre 01/04/2020 e 30/06/2020. A análise da subpopulação linfocitária foi realizada por citometria de fluxo multiparamétrica (CFM) em amostra de sangue total, utilizando os seguintes anticorpos: CD3 FITC clone SK3/Leu3a; CD8 PE clone SK7/Leu-4; CD45 PercP5.5 clone SK1 e CD4 APC clone 2D1 (Multitest® BD) e CD19 PE-Cy7 BD clone SJ25C1. Foi utilizado citômetro BD FACSCanto™ II e software de análise Infinicyt™ 2.0. Resultados: Foram recrutados 77 pacientes em dois meses, sendo 61% homens e 39% mulheres, com idade mediana de 57 anos (20 a 90). Dentre os pacientes, 86% apresentavam alguma comorbidade, sendo a síndrome metabólica a de maior ocorrência (58%) e problemas respiratórios prévios como asma e tabagismo prévio ou ativo (20%). Destes, 48 pacientes (62,3%) que fizeram o exame de citometria completo puderam ser avaliados. Os pacientes que permaneceram em unidade de médio risco, utilizando apenas O2 nasal como suporte respiratório foram classificados como Graves (n = 32, 66,6%) e os que necessitaram de suporte ventilatório (VM), classificados como Muito Graves (n = 16, 33,4%). Os pacientes do primeiro grupo apresentaram mediana de leucócitos 7600/uL (2760-18780), neutrófilos 3525/uL (1639-14926), e linfócitos 1002/uL (488-3117), enquanto que os pacientes muito graves apresentaram leucócitos 12195/uL(4460-24160), neutrófilos 11013/uL (3327-23845), e linfócitos 635/uL (123-1377). As subpopulações linfocitárias T também apresentaram diferenças entre os dois grupos. O grupo sem VM apresentou mediana de Linfócitos T 727/uL (252-2631), LT CD4 394/uL (69-1253) e CD8 282/uL (47-1150). Já o grupo muito grave teve mediana de LT 552/uL (88-1022), LT CD4 352/uL (27-669) e CD8 244/uL (38-303). Por outro lado, os linfócitos B (CD19) e NK não apresentaram diferença entre os grupos (119 vs 117/uL) e NK (139 vs 98/uL). Dos pacientes analisados 8 (16,6%) foram a óbito, sendo seis do grupo muito grave, e 40 (83,4%) sairam de alta para acompanhamento domiciliar. Discussão: Nossos dados mostram que os pacientes graves que utilizaram VM e necessitaram de cuidados mais intensos tiveram linfopenia mais acentuada, com diminuição intensa tanto de LT helper CD4 quanto LT auxiliadores CD8. Por outro lado, nos pacientes com melhor evolução clínica as subpopulações apresentaram perfil distinto, mais próximos a normalidade. Conclusões: Os dados indicam que a avaliação da subpopulação linfocitária na admissão hospitalar pode ser um bom indicador da gravidade da doença e necessidade de cuidados intensivos aos pacientes com COVID-19.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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