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Informação da revista
Vol. 46. Núm. S4.
HEMO 2024
Páginas S470-S471 (outubro 2024)
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HEMO 2024
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RARO CASO DE CASO DE NEOPLASIA MIELOPROLIFERATIVA FAMILIAR IDENTIFICADO EM UMA UNIDADE DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA DE REFERÊNCIA DA REGIÃO NORTE
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JF Paesa, DG Torresa, EVB Alvesa, MA Sousaa, WH Laranjeiraa, RS Abreua,b, A Malheirob,c, GV Silvaa, AM Tarragôa,b,c, LPS Mourãoa
a Programa de Pós-graduação em Ciências Aplicadas a Hematologia, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Manaus, AM, Brasil
b Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (HEMOAM), Manaus, AM, Brasil
c Programa de Pós-graduação em Imunologia Básica e Aplicada, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, AM, Brasil
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Vol. 46. Núm S4

HEMO 2024

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Introdução

Neoplasias mieloproliferativas BCR::ABL1 negativas são doenças clonais das células-tronco hematopoiéticas, caracterizadas por panmielose, com maturação eficaz. Trombocitemia essencial (TE) e policitemia vera (PV) são as mais frequentes, diferenciadas por parâmetros laboratoriais, clínicos e achados genéticos. JAK2V617F é responsável por 95% dos casos de PV e de 50-60% de TE, ao passo que variantes genéticas em MPL e CARL são encontradas em 3% e 30% dos casos de TE, respectivamente. A predisposição hereditária para neoplasias mieloproliferativas é rara e caracteriza-se por baixa penetrância, a presença de variantes genéticas somáticas e um risco aumentado de progressão para leucemia mieloide aguda. A condição pode ocorrer em dois ou mais membros da mesma família, tornando os casos familiares particularmente notáveis. Este estudo descreve um caso raro de neoplasias mieloproliferativas familiares identificadas entre pacientes atendidos na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas.

Métodos

Análise dos prontuários médicos de pacientes que consentiram em participar da pesquisa entre 2021 e 2022. Foram avaliados dados clínicos, laboratoriais, eventos hemorrágicos e trombóticos. Análise molecular foi realizada para identificação de JAK2V617F, haplótipo 46/1 (rs10974944 C>G), MPL (éxon 10) e CALR (éxon 9).

Resultados

foram identificados casos de neoplasia mieloproliferativa em dois membros do mesmo grupo familiar: NMP102, mulher, 86 anos diagnosticada com trombocitemia essencial, sem histórico de esplenomegalia ou eventos trombóticos, mas teve eventos hemorrágicos e história de tratamento com hidroxiureia. Exames citogenéticos revelaram uma deleção 3q; foi identificada uma variante tipo 2 no gene CALR (rs765476509 - c.1154_1155insTTGTC; p.K385fs*47). Seu filho, NMP35, de 60 anos, apresenta diagnostico para policitemia vera, histórico de esplenomegalia, sem eventos trombóticos ou hemorrágicos relatados, tratado com hidroxiuréia e ácido acetilsalicílico. Foi identificada a variante JAK2V617F em homozigose (T/T). Ambos apresentaram o haplótipo 46/1 (C/G e G/G, respectivamente).

Discussão

O presente estudo relata pela primeira vez um caso de diferentes tipos de neoplasias mieloproliferativas em um único grupamento familiar no Amazonas. A identificação de diferentes tipos de variantes drivers dos casos está de acordo com os achados genéticos drivers envolvidos na etiopatogênese das doenças, assim como o haplótipo 46/1 é enriquecido em casos familiares, elevando o risco de 5 a 7 vezes de desenvolvimento dessas doenças em parentes de primeiro grau. Variantes somáticas (como JAK2V617F e c.1154_1155insTTGTC) contribuem para a vantagem proliferativa e a subsequente clonalidade celular, enquanto o componente hereditário (haplótipo 46/1 - rs10974944 C>G), predispõe à aquisição dessas alterações somáticas, estabelecendo o distúrbio mieloproliferativo clonal.

Conclusão

É relevante analisar as variantes associadas ao haplótipo germinativo 46/1 em contextos familiares para entender seu papel na hereditariedade e sua possível conexão com a neoplasia mieloproliferativa familiar.

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Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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