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Vol. 42. Issue S2.
Pages 205-206 (November 2020)
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LINFOMA DE HODGKIN COM ACOMETIMENTO CUTÂNEO: RELATO DE CASO
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C.M.L.B. Monteiro, C.D. Donadel, P.O.C. Terra, J.P.L. Silva, D.C. Stocco, V. Tomazini, P.C.C. Bariani, G.C.O. Souza, L.C. Palma, D.V. Clé
Divisão de Hematologia, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
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Introdução: O Linfoma de Hodgkin é uma neoplasia que corresponde a 10% de todos os linfomas. É caracterizado pela presença de células de Reed-Sternberg associadas a um fundo inflamatório. Pode se apresentar com adenomegalias, febre, sudorese noturna, perda de peso (sintomas B) e prurido. Menos comumente cursa com envolvimento extranodal, como de medula óssea ou de fígado. Objetivo: Relatar o caso de uma paciente com diagnóstico de linfoma de Hodgkin, que evoluiu com acometimento cutâneo acompanhada pela equipe de Hematologia do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Resultados: Paciente, sexo feminino, 30 anos, previamente hígida, com história de surgimento nódulos cervicais e axilares, bem como sintomas B e adinamia há 3 meses da primeira consulta. Ao exame físico, apresentava adenomegalias cervicais e axilares bilateralmente. Tomografias computadorizadas (TCs) com contraste de pescoço, tórax e abdome evidenciaram múltiplos linfonodos cervicais, mediastinais, hilares e axilares, o maior medindo 5,1 x 2,9 cm2. Em biópsia excisional de linfonodo foram visualizadas células de Reed-Sternberg com CD30 e CD15 positivos na imunohistoquímica em meio a um infiltrado inflamatório misto. Apresentava LDH de 632. Diante disso, foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin, celularidade mista, IIB, com estádio inicial desfavorável. Foi então submetida a tratamento quimioterápico com VI ciclos de AVD (doxorrubicina, vimblastina e dacarbazina). Não foi realizada bleomicina por desabastecimento no país. Dois meses após o término do tratamento, enquanto aguardava pelo reestadiamento, evoluiu com adenomegalia axilar a direita e lesão nodular violácea encimada por crosta em fossa antecubital, que foram biopsiadas. Não houve sinais de malignidade em axila, porém apresentou achado de células atípicas, linfoides, na derme, de tamanho intermediário a grande, com núcleos ovalados e irregulares apresentando nucléolos evidentes em meio a infiltrado inflamatório misto. Eram positivas para CD30. Pela refratariedade, foi submetida a tratamento de segunda linha com II ciclos de GDP (gencitabina, dexametasona e cisplatina), porém apresentou aparecimento de placas eritemato-violáceas após. Na ocasião realizou TC com emissão de pósitrons (PET CT) que não mostrou lesões hipermetabólicas. Apesar disso, foi realizado I ciclo de IGEV (ifosfamida, gencitabina e vinorelbina) com nova piora. Atualmente paciente possui programação de transplante de medula óssea autólogo. Mantém placas eritemato-violáceas distribuídas por toda a pele, porém sem adenomegalias aparentes em exames de imagem. Discussão: Apesar de síndromes paraneoplásicas com acometimento inespecífico cutâneo, como prurido e hiperpigmentação, ocorrerem em 17-53% dos casos de linfoma de Hodgkin, a infiltração tumoral direta da pele é muito rara. Costuma se apresentar com nódulos que evoluem com ulceração na região do tórax. É diagnosticada através da biópsia da lesão. O tratamento deve ser realizado com esquemas quimioterápicos utilizados habitualmente, não requerendo medidas específicas. Já o estadiamento e as reavaliações devem ser realizados com PET-CT. Está associada a linfadenopatia difusa, doença avançada e mau prognóstico. Conclusão: A infiltração da pele é uma manifestação rara do linfoma de Hodgkin, que costuma representar um pior prognóstico. No presente trabalho, relatamos o caso de uma paciente com doença refratária, evoluindo com envolvimento cutâneo isolado diferente do que é relatado na literatura.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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