Journal Information
Vol. 42. Issue S2.
Pages 149 (November 2020)
Share
Share
Download PDF
More article options
Vol. 42. Issue S2.
Pages 149 (November 2020)
251
Open Access
DETERMINANTES DA MORTALIDADE PRECOCE E TARDIA NO TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: ANÁLISE DE UMA COORTE RETROSPECTIVA DE 10 ANOS EM UM ÚNICO CENTRO
Visits
...
A.G.O. Braga, K.B.B. Pagnano, E.V. Paula, B.K.L. Duarte
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, Brasil
Article information
Full Text

Objetivos: Determinar retrospectivamente as variáveis clínicas e laboratoriais presentes ao diagnóstico preditoras de mortalidade precoce e tardia em pacientes com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) submetidos à tratamento intensivo com esquema de indução “7+3”. Material e métodos: Foram analisados 133 pacientes consecutivamente diagnosticados com LMA de novo e submetidos à quimioterapia de indução entre 2011 e 2020 no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas. Os dados laboratoriais e de história clínica foram obtidos retrospectivamente dos prontuários médicos. Mortalidade precoce foi definidada como mortalidade ocorrendo nos primeiros 60 dias de tratamento e mortalidade tardia foi definida como aquela ocorrendo nos primeiros 12 meses de seguimento. As varíaveis categóricas foram comparadas utilizando-se o teste de Chi quadrado ou teste de Fisher, conforme aplicável, enquanto as variáveis quantitativas foram avaliadas através do teste de Mann-Whitney. A análise de sobrevida foi realizada pelo método de Kaplan-Meier, com o teste de log rank para comparação entre curvas. A regressão Cox foi usada para comparação do impacto de diferentes variáveis na sobrevida global em 60 dias e 12 meses. O valor de p < 0.05 foi considerado estatisticamente significativo. Resultados: A população estudada consistia essencialmente de pacientes jovens (mediana de 52 anos), de risco favorável ou intermediário (75.9%), predominantemente sem comorbidades e com bom performance status. A mortalidade em 60 dias foi de 30.8% e a mortalidade em 12 meses de 56.4%. Na análise univariada para mortalidade precoce, um performance status > 2; leucócitos > 100 x 109/L, RNI > 1.5; bilirrubina total > 1.2, albumina < 3.0 g/L e LDH > 2x o limite superior da normalidade estiveram associadas com maior risco de morte. Já na análise multivariada, performance status, bilirrubina e RNI estiveram independentemente associadas a uma maior mortalidade precoce. A variável albumina não foi incluída neste modelo pelo número de pacientes sem esse dado. Com relação à mortalidade tardia, a contagem de leucócitos, o RNI, a bilirrubina e o performance status ao diagnóstico foram todas variáveis preditoras do óbito. Dessas variáveis, o performance status e o RNI se mantiveram independentemente associadas à mortalidade. Num segundo modelo, incluindo a realização de transplante alogênico de medula óssea e a ocorrência de ICS por ERC, as duas variáveis estiveram associadas à mortalidade em 1 ano, inclusive de maneira independente, como evidenciado na análise multivariada. Discussão: Variáveis clínicas e laboratoriais avaliadas ao diagnóstico são preditoras da mortalidade precoce e tardia em LMA numa população de pacientes jovens e sem comorbidades significativas. O impacto prognóstico na mortalidade precoce associado às alterações de RNI e bilirrubina, sugere um potencial papel para o metabolismo hepático de quimioterápicos na mortalidade precoce. A associação independente da mortalidade tardia com a ocorrência de ICS por ERC, ressalta a importância da prevenção desse tipo de evento. Conclusão: A mortalidade precoce associada ao tratamento da LMA permanece como uma das principais causas de óbito relacionado a esta doença e se correlaciona com variáveis clínicas e laboratoriais do diagnóstico. Estudos populacionais com diferentes cortes geográficos e sócio-econômicos poderão esclarecer a aplicabilidade desses achados em outras populações.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

Subscribe to our newsletter

Article options
Tools