Objetivos: Os aloanticorpos antieritrocitários irregulares (AAI) clinicamente significantes estão associados com a Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHFRN) e/ou a Reação Hemolítica Transfusional (RHT). Nos serviços de hemoterapia, a pesquisa de AAI (PAI) em doadores de sangue é obrigatória a fim de evitar RHT no receptor. O estudo foi realizado com o objetivo de avaliar a prevalência de AAI em doadores de sangue da Hemorrede Hemepar e analisar a importância da investigação dos aloanticorpos nestes doadores. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal, descritivo e retrospectivo, de dados demográficos e de perfil dos AAI dos doadores de sangue provenientes da Hemorrede Hemepar no período de maio de 2011 a maio de 2016, pela metodologia de gel centrifugação. Resultados: Foram analisados dados da PAI de 248.639 doadores de sangue, dos quais 0,44% apresentaram resultado positivo, e 0,21% foram classificados como AAI clinicamente significantes. As especificidades dos AAI foram contra os antígenos dos sistemas Rh (69,4%), Kell (16%), Diego (10%), Duffy (1,9%), Kidd (1,5%) e MNS (1,2%). Em mulheres, os anticorpos mais frequentes foram anti-D (46,7%), -E (14,9%), -K(13,7%) e -Dia (7,5%). Além desses, foram encontrados exclusivamente nas doadoras de sangue os aloanticorpos anti-c (5%), anti-e (0,2%), anti-Jkª (1,4%), anti-Jkb (0,5%) e anti-S (1,4%). Em homens, os anticorpos anti-K (26%) e anti-Dia (20,8%) foram predominantes. Discussão: A PAI foi positiva em 0,44% dos doadores de sangue, similar a estudo no Hemocamp, e inferior a estudos realizados no Hemorio (0,92%) e nos EUA (0,77%), possivelmente devido a diferenças populacionais e metodológicas. Dentre os doadores de sangue, (0,21%) apresentaram PAI positiva para anticorpos clinicamente significantes sendo o anti-D o mais prevalente (42,7%), seguido de anti-K (16%). Resultados similares aos encontrados em estudos conduzidos na Colômbia e EUA. O anti-Dia foi encontrado em 10% dos doadores, mostrando a importância da detecção deste anticorpo na triagem de doadores e pacientes para prevenção de reação hemolítica transfusional, tendo em vista que a prevalência do antígeno Dia na população brasileira pode variar de 2% a 54%, diferentemente da população americana e europeia onde a incidência deste antígeno é muito rara. Entre os indivíduos do sexo masculino o anti-K e o anti Dia foram os anticorpos de maior prevalência. A maior prevalência do anti-K em homens também foi relatada em outros estudos. Nas doadoras de sangue o principal anticorpo encontrado foi o anti-D, possivelmente relacionado com aloimunização pós-gestacional e devido falha na imunoprofilaxia Rh. Os anticorpos não-D mais frequentes encontrados em doadoras foram anti-E, anti-K e anti-Dia, sendo que estes dois últimos estão associados com DHFRN e RHT graves, destacando-se a importância de orientação quanto aos riscos destes AAI. Além disso, pode haver queda de título e os AAI clinicamente significantes não serem mais detectados, especialmente anticorpos contra antígenos do sistema Kidd. Conclusão: Os hemocomponentes plasmáticos de doadores de sangue com PAI positiva são descartados evitando-se a RHT. Entretanto, os doadores devem ser orientados dos potenciais riscos dos AAI causarem RHT imediatas ou tardias caso necessitem de transfusão futura e, nas doadoras em idade gestacional, se engravidarem, desenvolverem a DHFRN.
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