Relato: MAP, masculino, 37 anos, diagnóstico em julho 2019 de leucemia linfoblástica aguda do tipo B (LLA-B) Philadelphia positivo (Ph+). Tratamento de indução HyperCVAD associado a dasatinibe, doença residual mínima (DRM) negativa e redução do BCR-ABL ao final do quarto ciclo. Recebeu transplante de medula óssea (TMO) alogênico compatível (doador: irmão) em novembro/2019 sem intercorrências com quimerismo no D+30 de 100% doador. No D+80 do TMO, apresentou 82% de blastos no sangue periférico, recidiva em avaliação da medula óssea com cariótipo alterado e BCR-ABL positivo. Em março/2020 foi readmitido para quimioterapia com citarabina e etoposide por 3 dias, seguido de infusão de blinatomumabe e mantido o dasatinibe. Ao final do primeiro ciclo de blinatumomabe apresentava DRM negativa. Algumas semanas após iniciou com febre, linfonodomegalias cervicais, axilares e inguinais e poliartrite simétrica com investigação negativa para infecções e nova medula óssea, com 54% de blastos. Esquema de tratamento alterou para FLAG-Ida, ainda com dasatinibe, com refratariedade à quimioterapia e novo exame com 71% de blastos após 25 dias. Trocou desatinibe para ponatinibe 30 mg/dia, com prednisona e doses semanais de vincristina em 13/06/2020, sem intercorrências. Nova avaliação da DRM em 15/07/2020 com 0,02% de blastos caracterizou remissão, com redução do BCR-ABL. Sem sucesso na pesquisa da mutação do BCR-ABL T315I por problemas técnicos de amostra. Com resposta satisfatória, performance status excelente e novo doador, foi encaminhado para o segundo TMO alogênico haploidêntico a ser realizado. Discussão: Em torno de 25% dos pacientes adultos com LLA terão translocação entre os cromossomos 9 e 22 (cromossomo Philadelphia), com expressão do gene BCR-ABL e doença de alto risco. O tratamento preconizado inclui quimioterapia acrescida de inibidores de tirosinoquinase (TKI), com taxas de resposta de até 90%, sendo que até metade dos pacientes poderão recidivar. Em pacientes jovens e com bom performance status, o TMO alogênico é a única opção potencialmente curativa, e deve ser realizado na primeira remissão completa na existência de doador adequado. O prognóstico de pacientes com LLA Ph+ recidivados após TMO alogênico é reservado, e poucas opções terapêuticas são viáveis, e incluem: infusão de linfócitos de doador, quimioterapia convencional, imunoterapia (blinatomumabe, inotuzumabe ozogamicina), terapia com CAR-T cells, segundo TMO alogênico e cuidados suportivos exclusivos, mas as taxas de sobrevida global para esta população em 3 anos são menores que 25%. A mutação T315I do BCR-ABL é responsável pela resistência aos TKI de primeira e segunda geração. O ponatinibe, que é um inibidor de terceira geração, demonstra atividade em diversas mutações de BCR-ABL, inclusive sobre a T315I. Além disso, sabe-se que no cenário da LLA a ocorrência de mutações e resistência aos TKI podem acontecer rapidamente. Estudos demonstraram resposta rápida, hematológica, citogenética e segura com uso de ponatinibe em pacientes que não obtiveram resultados com outros TKI. Conclusão: Paciente com LLA-B, Ph+, recidivado após TMO alogênico de medula óssea aparentado compatível, refratário a blinatomumabe e quimioterapia convencional, que atingiu resposta rápida com uso de ponatinibe associado a corticosteroide e vincristina, possibilitando um segundo TMO haploidêntico.
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