HEMO 2025 / III Simpósio Brasileiro de Citometria de Fluxo
Mais dadosA leucemia linfocítica crônica (LLC) é uma neoplasia linfoproliferativa caracterizada pelo acúmulo de linfócitos maduros no sangue periférico e por um curso clínico não linear em sua sintomatologia. O uso de biomarcadores moleculares, como o status mutacional da região variável da cadeia pesada de imunoglobulina (IGHV) e alterações genéticas no gene supressor tumoral TP53, surgiram como ferramenta úteis para a estratificação prognóstica e individualização terapêutica na prática hematológica.
ObjetivosAvaliar o uso do IGHV e das alterações no gene TP53 na predição da história natural da leucemia linfocítica crônica e seu impacto na seleção de abordagens terapêuticas personalizadas.
Material e métodosO levantamento das informações relevantes para o presente estudo baseou-se em busca nas bases de dados PubMed e Web of Science utilizando descritores e termos Medical Subject Headings descriptors. Foram incluídos estudos observacionais e clínicos publicados entre 2015 e 2025 que envolvessem análises da região variável da cadeia pesada de imunoglobulina e do TP53 em coortes de pacientes com leucemia linfocítica crônica. Foram excluídas revisões, artigos duplicados, relatos incompletos e estudos fora do escopo desta revisão.
Discussão e conclusãoEm uma coorte de pacientes com LLC de diferentes nacionalidades identificados nesses estudos, 57,1% dos que apresentavam mutações na região variável da cadeia pesada de imunoglobulina exibiram um curso clínico indolente e foram elegíveis para vigilância ativa, enquanto o status não mutado nessa região esteve associado à progressão precoce da doença. Alterações no gene supressor tumoral TP53, detectadas em 3,2% dos pacientes, correlacionaram-se com resistência à quimioimunoterapia convencionais no tratamento de LLC como fludarabina, ciclofosfamida e rituximabe e apresentaram redução da sobrevida global. Em relação ao uso de quimioimunoterapicos entre os pacientes refratários tanto aos inibidores da tirosina quinase de Bruton (BTK) quanto aos inibidores de BCL-2, as terapias subsequentes mais frequentemente utilizadas foram inibidores não covalentes da tirosina quinase de Bruton (34,5%), combinação concomitante de inibidor da tirosina quinase de Bruton e inibidor de BCL-2 (27,6%), terapia com células T receptoras de antígeno quimérico (CAR-T) direcionada ao CD19 (24,1%) e inibidores da fosfatidilinositol 3-quinase(PI3K) (20,7%). Em pacientes de risco intermediário a alto recebendo tratamento de primeira linha, a monoterapia com inibidor da tirosina quinase de Bruton, a combinação do inibidor de BCL-2 venetoclax com o anticorpo monoclonal anti-CD20 obinutuzumabe e os regimes de duração fixa combinando inibidor da tirosina quinase de Bruton e venetoclax alcançaram remissões duráveis de até dez anos, aproximadamente seis anos e cinco anos e meio, respectivamente. A região variável da cadeia pesada de imunoglobulina e o biomarcador p53 podem servir como ferramentas valiosas para a estratificação de risco, e tomada de decisões terapêuticas e o prognóstico na leucemia linfoide crônica. Esses achados ressaltam a necessidade de estudos adicionais para incorporar sistematicamente esses marcadores aos fluxos diagnósticos e ao planejamento terapêutico em hematologia, visando melhorar a qualidade de vida do paciente bem como auxiliar na obtenção da sobrevida global.




