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Vol. 42. Issue S2.
Pages 51-52 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 51-52 (November 2020)
84
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.085
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PREVALÊNCIA DE TRAÇO FALCIFORME EM DOADORES DE SANGUE DA REGIÃO CENTRO-OESTE DO ESTADO DE MINAS GERAIS
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E.M. Pintoa, V.S. Ladeiraa,b, M.M. Oliveiraa,b, D.R.A. Riosa
a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), São João del-Rei, MG, Brazil
b Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado de Minas Gerais (Hemominas), Belo Horizonte, MG, Brasil
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Objetivo: Estimar a prevalência de traço falciforme em doadores de sangue da região Centro-Oeste do Estado de Minas Gerais (MG). Metodologia: As informações sobre a presença ou não de HbS no sangue, etnia, gênero, escolaridade, idade, níveis de hemoglobina (g/dL) e localidade dos doadores de sangue cadastrados no período de janeiro de 2018 a dezembro de 2019 foram levantadas pelo setor de cadastro de doadores, a partir da consulta dos dados no sistema Hemote Plus, exclusivo da Fundação Hemominas (FH). Resultados: A média de idade dos doadores de sangue da região Centro-Oeste de MG foi de 34,4±11,3 anos, 51,4% eram do sexo masculino, 52,8% se autodeclararam brancos, 53,3% possuíam até 2°grau completo e a média dos níveis de hemoglobina foi de 15,1±1,3g/dL. A prevalência de traço falciforme foi de 2,2% (n=332). Houve uma maior frequência do traço falciforme em doadores autodeclarados pardos (42,8%), nas faixas etárias de 21 a 30 anos (31,9%) e de 31 a 40 anos (30,7%), no sexo feminino (53,9%) e a média dos níveis de hemoglobina foi de 14,8±1,3g/dL. Discussão: O valor encontrado de prevalência nesse estudo é semelhante ao estimado para a população brasileira (2,1%) e pouco menor do que o encontrado para Minas Gerais (3%), que pode ser justificado pelo fato de Minas Gerais fazer parte da região Sudeste do país que foi bastante colonizada por europeus e negros africanos e ter recebido um grande contingente de escravos negros africanos para trabalho na época da escravidão. Encontrou-se uma maior frequência do traço falciforme em doadores autodeclarados pardos (42,8%), seguidos de brancos (30,7%) e negros (26,5%), fato este justificado pela ascendência da etnia branca na população brasileira e aos vieses de categorização de cor de pele. Não se encontrou uma diferença significativa da prevalência do traço falciforme entre homens e mulheres, como já se era esperado pois a mutação que dá origem a esta condição não está ligada ao sexo. Dos doadores positivos para HbS, a maioria está compreendida entre as faixas etárias de 21 a 30 anos (31,9%) e de 31 a 40 anos (30,7%), o que nos mostra que estes se encontram em idade reprodutiva, demonstrando a importância de enfatizar a realização do aconselhamento genético com estes indivíduos. O nível de escolaridade mais alto entre os doadores de sangue do que a população geral do Brasil, pode estar relacionado à falta de informações sobre o processo de doação e também a crenças negativas infundadas sobre a doação de sangue. Comparando a mediana dos níveis de hemoglobina entre os doadores com traço falciforme com os doadores da região Centro-Oeste, nota-se que os primeiros possuem níveis leves, mas significativamente inferiores, porém todos dentro da normalidade para a realização da doação de sangue. Conclusão: Apesar do traço falciforme ser considerado uma condição benigna, existem estudos mostrando manifestações clínicas relevantes relacionadas a esta condição, o que torna importante a realização de estudos de prevalência desta condição. Além disso, conhecer a prevalência do traço falciforme em doadores de sangue na região Centro-Oeste de MG é importante pelo fato de ainda não se ter estudos publicados sobre na região e também aos benefícios que a identificação destes indivíduos oferece para conhecer o perfil epidemiológico. Desse modo, este estudo contribuiu com os demais estudos de prevalência no Brasil.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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