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Vol. 42. Issue S2.
Pages 102-103 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 102-103 (November 2020)
172
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.173
Open Access
DOENÇA DE ERDHEIM-CHESTER, HISTIOCITOSE DE CÉLULAS NÃO-LANGERHANS RARA: RELATO DE CASO
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D.B. Lamaison, R.S. Ferrelli, T.C.M. Ribeiro, T.Y. Barbeta, A.S. Ribeiro, E.T. Calvache, L.L.A. Silva, T.B. Soares, C.S. Weber, A.A. Paz
Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Porto Alegre, RS, Brasil
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Paciente, 73 anos, masculino, com diagnóstico prévio de pan-hipopituitarismo secundário a síndrome da sela vazia diagnosticado há 15 anos. Estava em uso de suplementação hormonal - desmopressina nasal, levotiroxina e prednisona, desde então. Iniciou com dor lombar bilateral e em membros inferiores, além de episódios de hipotensão e cansaço progressivo. Indicada internação para prosseguir investigação. Solicitado tomografia de abdome com presença de espessamento tecidual com densidade de partes moles e aspecto em manto envolvendo rins, vasos renais, ureteres proximais e aorta de forma razoavelmente simétrica, determinando mínimo aumento da distensibilidade de cálices de grupos renais superiores, não acompanhado de linfonodomegalias. Apresentava, também, mínima lâmina de derrame pericárdico ao ecocardiograma, bem como espessamento cortical tibial bilateral ao inventário ósseo. Optou-se então por biópsia renal guiada por ecografia, com presença de fibrose colagênica associada a diversas células de aspecto histiocitóide, xantomatosos, em tecido perirrenal, imunohistoquímica com CD68 (kp-1) +, fator XIIIa +, anti-CD34 +, CD1a -. Desta forma, unindo clínica aos achados histopatológico, conclui-se diagnóstico de Doença de Erdheim-Chester - histiocitose de células não-Langerhans. Optado, então, tratamento com interferon-alfa e paciente segue em acompanhamento ambulatorial. Discussão: A doença de Erdheim-Chester é uma rara histiocitose de células não-Langerhans, que se manifesta com lesões escleróticas em ossos tubulares longos simétricos, podendo evoluir com infiltração histiocitária de tecidos extra-ósseos. Tem incidência desconhecida e menos de mil casos foram relatados na literatura, sendo mais comum em homens com idade entre 50 e 60 anos. Caracteriza-se por proliferação clonal de precursores mielóides com mutação no gene BRAF V600E. Estes histiócitos expressam citocinas que aceleram o recrutamento histiocitário e respectiva ativação com tropismo para o tecido conectivo, adiposo e perivascular. Além do envolvimento ósseo, pode atingir região hipofisária, cursando com diabetes insipidus e endocrinopatias secundárias. Envolvimento renal também é comum, com infiltração de tecidos perinéfricos, com aspecto de “rim cabeludo”na tomografia computadorizada, podendo levar a hidronefrose. O diagnóstico é desafiador e se confirma com exame anatomopatológico do sítio afetado, com achados de histiócitos com características não-Langerhans (CD1a negativo e proteína S-100 negativa). Não há consenso na literatura sobre tratamento ideal, mas há resultados promissores com uso de drogas imunossupressoras, como interferon-alfa, corticosteróides, ciclofosfamida além de quimioterapia e radioterapia. Conclusão: A doença de Erdheim-Chester apresenta-se como entidade pouco conhecida e carece de abrangente investigação clínica e suspeita diagnóstica. Tendo em vistas sua baixa incidência é necessário ter conhecimento de sua apresentação para evitar subdiagnósticos.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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