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Vol. 42. Issue S2.
Pages 117-118 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 117-118 (November 2020)
197
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.198
Open Access
ASSOCIAÇÃO ENTRE SÍNDROME POEMS E DOENÇA DE CASTLEMAN: RELATO DE CASO
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A.S. Barretoa, L.V.D. Reisa, C.C.F.A. Souzaa, I.C.A. Albuquerquea, P.V.A. Chavesa, B.C.C.A. Limaa, M.A. Silvab, L.M.D. Fonsecaa, C.C.G. Macedoc
a Universidade Potiguar (UnP), Natal, RN, Brasil
b Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Caicó, RN, Brasil
c Liga Norte Riograndense Contra o Câncer, Natal, RN, Brasil
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Introdução: A síndrome de POEMS (poliradiculoneuropatia, organomegalia, endocrinopatia, proteína monoclonal e alterações de pele) é uma entidade paraneoplásica rara, decorrente de uma proliferação de células plasmáticas. O diagnóstico é feito pela presença dos critérios maiores obrigatórios (polineuropatia e proliferação monoclonal) e pelo menos um dos outros critérios menores (doença de Castleman, lesão osteoesclerótica, organomegalia, endocrinopatia, alterações cutâneas, papiledema). A doença de Castleman (DC), por sua vez, é um distúrbio linfoproliferativo raro, com envolvimento ganglionar unifocal ou sistêmico, que está presente em 11-30% dos casos de POEMS. O presente trabalho relata a dificuldade de diagnóstico da Doença de Castleman e sua posterior evolução para Síndrome de POEMS. Relato de caso: Homem, 64 anos, apresentava numerosas pápulas e nódulos eritêmato-violáceas no tronco e membros há 5 anos. Contudo, procurou hematologista em 2016 após presença de linfonodomegalias cervicais, sudorese noturna e perda ponderal de 10 quilos em 45 dias. Associado a isso, observou polineuropatia sensitivo motora das extremidades e fraqueza muscular progressiva. Realizou biópsia de linfonodo cervical, cujo resultado revelou Doença de Castleman, com componente hialino vascular. Os exames de estadiamento revelaram uma positividade para VDRL, mas como havia história de tratamento prévio, aventou-se a possibilidade de se tratar de uma reação cruzada imunológica. Posteriormente exames de estadiamento, deu-se seguimento ao tratamento com R-CHOP (Rituximabe, Ciclofosfamida, Doxorrubicina, Oncovin, Prednisona). Durante a quimioterapia (QT) o paciente apresentou piora da neuropatia e fraqueza muscular, sendo necessária internação, na qual o paciente evoluiu perda do movimento dos membros inferiores e dor intensa na elevação do membro superior. Fez nova TC que evidenciou lesão osteolítica occipital (critério maior) e eletroforese de proteínas demonstrando componente monoclonal de cadeia gama (critério maior obrigatório), enquadrando o paciente com Síndrome POEMS. Modificou-se a terapia, optando-se por oito ciclos de QT com VCD (Velcade, Ciclofosfamida, Dexametasona) foi iniciada, para posterior Transplante de Medula Óssea Autólogo em 2019. O paciente obteve resposta satisfatória ao tratamento e está em atual acompanhamento pós-remissão. Discussão: Além da DC possuir um difícil diagnóstico por ser uma entidade rara, seu quadro inicial inespecífico dificulta ainda mais sua elucidação. Ademais, evidenciar sua associação com a síndrome de POEMS também se torna complexo, fato o qual atrasa o início do tratamento e pode piorar o prognóstico do paciente. Dessa forma, faz-se necessário uma boa anamnese, exame físico completo e exames complementares importantes, como TC de crânio, eletroforese de proteínas séricas, imunohistoquímica e bioquímica, para fazer o diagnóstico precoce de POEMS em paciente com polineuropatia progressiva de origem desconhecida e DC confirmada. Conclusão: Embora a DC seja uma entidade rara, incluir no diagnóstico diferencial de linfonodomegalias torna-se necessário, visto que se trata de um quadro clínico inespecífico e com necessidade de confirmação histopatológica. Além disso, é importante atentar quanto a presença de polineuropatia progressiva associada com DC, pois elucidar sua associação com a síndrome de POEMS de forma precoce confere melhor prognóstico e tratamento para paciente.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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