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Vol. 42. Issue S2.
Pages 3-4 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 3-4 (November 2020)
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DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.006
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APLASIA MEDULAR: RELATO DE CASO
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G.G. Santos, J.D.V.O. Alexandre, L.C. Conceicao, M.T. Xavier, N.F.D. Rosário
Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
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A aplasia medular afeta as três séries hematopoéticas, inclusive as células progenitoras, e a referida neste caso foi a do tipo adquirida. Mais de 70% dos casos tem causa desconhecida. Os outros casos são causados por agentes tóxicos, radiação ionizante, fármacos e vírus. A lesão pode ser direta nos precursores celulares ou por uma desregulação do sistema imunológico. U.C., 36 anos, sexo masculino, com ensino médio completo, aposentado desde 2015, profissão mecânico de manutenção, casado pela segunda vez há 13 anos, com 02 filhos menores de idade, morando em apartamento com água potável e saneamento básico no município de Nova Friburgo. Aos 22 anos, trabalhando como jardineiro, utilizava o produto tóxico Roundup (glifosato), sem equipamento de proteção individual adequado (utilizava máscara cirúrgica hospitalar). Em 2005, apresentou episódios de sangramento na região da gengiva, fraqueza e dor nas articulações, sendo encaminhado ao hospital em Maricá, onde foram realizados exames laboratoriais, que revelaram do número de plaquetas. Foi administrada vitamina K, conforme relato do paciente. No mesmo ano, foi encaminhado para o Hemorio, onde obteve diagnóstico de hipoplasia medular, que após 7 anos evoluiu para aplasia medular. Foi, então, submetido a testes de histocompatibilidade com familiares de primeiro grau, porém não foi compatível com nenhum deles. Em 2011 foi cadastrado no REREME, devido atraso na realização do HLA II de alta resolução. O resultado do estudo de HLA mostrou incompatibilidade entre os irmãos e o haplo-transplante foi descartado pelo CEMO/INCA (presença de anticorpos anti-HLA de pai, mãe e irmão). Faz tratamento medicamentoso contínuo de revlimid 1x ao dia, glibenclamida 1x ao dia, metformina 850mg 2x ao dia, atenolol 1x ao dia, hidroclotiazida 1x ao dia. Informa ser diabético, hipertenso, faz pouca ingestão de bebida alcóolica, nega AVE, transtorno psiquiátrico, alergia medicamentosa e tabagismo. Devido a sua doença, realiza transfusão de concentrados de hemácias 2x ao mês e concentrado de plaquetas a cada 7 dias. O paciente apresentou reação transfusional com prurido e erupções cutâneas ao ser transfundido com o concentrado de plaquetas. Após este episódio, passou a ser administrada pré-medicação transfusional com maleato de dexclorfeniramina por via oral. No dia 14/11/2019 compareceu ao setor do ambulatório de transfusão, para realizar a transfusão de uma bolsa de concentrado de hemácias. Sinais vitais: Tax.: 35.6°C, FR: 19 irpm, FC: 49 bpm, PA: 127×77mmHg, EAD: 0. Apresentava-se lúcido e orientado, responsivo as solicitações verbais e deambulando. Nos primeiros dez minutos não houve intercorrências. Ao término, às 11:40h, foram verificados novamente os sinais vitais (Tax.: 36.5°C, FR.: 20 irpm, FC: 73 bpm, EAD: 0, PA: 130×70mmHg). Após aguardar 30 minutos, conforme protocolo, não apresentou intercorrências no período e foi liberado. Roundup é um agrotóxico produzido pela multinacional Monsanto que pertence ao grupo Bayer, empresa de atuação global no setor farmacêutico (Bayer HealthCare) e no agronegócio (Bayer Crop Science). No Brasil, esse herbicida é usado em 90% das lavouras de soja e teve sua licença e comercialização renovada pelo governo brasileiro em 2019, junto a outros 83 tipos de agrotóxicos.

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Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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