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Vol. 42. Issue S2.
Pages 246-247 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 246-247 (November 2020)
411
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.413
Open Access
ACOMETIMENTO CUTANEO PRECOCE EM PACIENTE COM MIELOMA MULTIPLO: UM RELATO DE CASO
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M.B. Nunesa, E.D.C. Vianab, F.L. Nogueiraa, E.A.S. Carvalhoa, J.M.T.P.D. Nascimentoa, P.N.R.J. Fariaa
a Hospital Luxemburgo, Instituto Mario Penna, Belo Horizonte, MG, Brasil
b Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
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Introdução: O mieloma múltiplo (MM) compreende 1% de todos os tumores malignos e 10% das neoplasias hematológicas, afetando principalmente os idosos. Manifesta-se geralmente por citopenias, disfunção renal, hipercalcemia e lesões líticas ósseas. Raramente pode ocorrer infiltração de plasmócitos clonais em partes moles devido a disseminação hematogênica. Trata-se da chamada doença extramedular (EM), uma entidade extremamente agressiva, caracterizada pela resistência ao tratamento e que confere mau prognóstico aos pacientes. O envolvimento cutâneo é raro, e geralmente se apresenta na forma de plasmocitoma ou lesões nodulares que envolvem uma área bem demarcada da pele. Relatamos o caso de uma paciente com lesões cutâneas relacionadas ao MM, sem acometimento ósseo subjacente, após transplante de medula óssea (TMO) autólogo. Apresentação do caso: Paciente sexo feminino, 67 anos, diagnosticada com mieloma múltiplo IgG/Kappa, estadiamento ISS III e DS IIIA em abril/2019, durante propedêutica de anemia hipoproliferativa, hipercalcemia e lesões ósseas líticas difusas em tomografia computadorizada. Mielograma revelou infiltração por 62% de plasmócitos. Submetida a tratamento com 7 ciclos de CTD (ciclofosfamida, dexametasona e talidomida), atingindo resposta parcial muito boa. Foi então encaminhada para transplante autólogo de medula óssea. Quatro meses após a interrupção da quimioterapia, enquanto aguardava o TMO, a paciente evoluiu com o pequenas lesões nodulares eritematosas em membros inferiores. Não se suspeitou que tais lesões pudessem ser secundária ao MM e procedeu-se com o condicionamento do TMO, com resolução das lesões. Após 50 dias do transplante, a paciente intercorreu novamente com o surgimento de lesões em placas, eritemato-violáceas, algumas bolhosas, confluentes, e com secreção hialina em perna direita, além de placas em dorso e volumosa tumoração com centro hiperceratótico em região infraclavicular direita. Realizadas biópsias das lesões em perna e dorso, evidenciando proliferação de células pequenas pouco diferenciadas com diferenciação plasmablástica. Expressavam cadeia leve Kappa e CD138. A pesquisa para EBV foi negativa. Laboratorialmente, a paciente também apresentou progressão proteica urinária, sem outras alterações. Com o diagnóstico de recaída precoce pós TMO e acometimento cutâneo agressivo, foi optado por iniciar esquema quimioterápico DCEP (dexametasona, ciclofosfamida, etoposídeo e cisplatina), mas a paciente evoluiu a óbito devido a choque séptico de foco pulmonar durante período de neutropenia. Discussão: O envolvimento cutâneo pelo MM é evento raro e geralmente tardio da doença, ocorrendo em pacientes com alta carga tumoral e politratados. A paciente do caso apresentado, no entanto, evoluiu com extenso acometimento cutâneo após apenas 1 ano de diagnóstico. A doença extramedular pelo MM ocorre mais frequentemente associada a alterações moleculares de alto risco, como TP53 mutado e t(4;14), porém exames estavam indisponíveis no serviço. No caso relatado, chama a atenção o padrão heterogêneo das lesões cutâneas, além da presença de bolhas com conteúdo hialino, sendo esta manifestação muito incomum na literatura revisada, o que pode dificultar o diagnóstico. Conclusão: O hematologista deve manter alto índice de suspeição clínica para tais lesões cutâneas, pois estas acarretam em prognóstico adverso.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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