Objetivos: Devido a capacidade de diversos microrganismos patogênicos de interagir com os antígenos do sistema ABO, este tem sido implicado na susceptibilidade a diversos patógenos. A literatura científica apresenta alguns trabalhos que buscam a associação de doenças com tipos sanguíneos, inclusive infecções por vírus agressivos como o HIV. Essa infecção ainda não possui cura, o que aumenta a necessidade de estudos a fim de esclarecer possíveis mecanismos de atuação desse vírus. Nesse estudo, o principal objetivo é investigar uma possível associação entre a infecção por HIV e grupo sanguíneo tendo como população doadores de sangue do Rio de Janeiro. Adiconalmente, descrever a prevalencia dos resultados de tipagem sanguínea dos doadores de sangue do HEMORIO em 2016 e descrever os tipos sanguíneos dos doadores de sangue que tiveram sorologia positiva para o HIV. Material e métodos: Foi realizado um estudo transversal com doadores que realizaram a doação de sangue no HEMORIO entre janeiro e dezembro de 2016. Foram utilizados os resultados de triagem sorológica para o HIV pelo método de ELISA, Western Blot, Teste de Ácido Nucleico e exames de imunohematologia do doador. Resultados: Em 2016, o HEMORIO contou com 62.115 doações de sangue. Dentre elas, 27.183 doadores são do grupo O+ (43,76%), 18.914 A+ (30,44%), 6.640 B+ (10,68%), 4.149 O- (6,68%), 2.257 A- (3,63%), 2.011 AB+ (3,23%), 686 B- (1,10%) e 275 AB- (0,44%). Foram identificados 34 doadores soropositivos. Ainda que o grupo sanguíneo O represente a maior parte dos doadores HIV+, estes representam apenas 0,045% do total de doadores do tipo O, enquanto no grupo A este valor chega a 0,061%, no B a 0,068% e no AB 0,087%, um aumento de 93% em relação ao grupo O. Para melhor compreensão e análise dos dados, a porcentagem de doadores foi comparada dentro de cada grupo sanguíneo do total de doadores. Desta forma, buscou-se evitar o viés de seleção da amostra, pois o número de doadores do tipo O representa 51% da amostra analisada. Neste sentido, podemos perceber que, ainda que o grupo O também represente a maior parte dos doadores HIV+, estes representam apenas 0,045% do total de doadores do tipo O, enquanto no grupo A este valor chega a 0,061%, no B a 0,068% e no AB 0,087%, um aumento de 93% em relação ao grupo O. Discussão: Nossos resultados corroboram os dados apresentados por Davison e colaboradores (2018), que encontrou uma incidência consideravelmente menor de doadores HIV+ que eram do grupo O, enquanto em doadores do tipo AB foi encontrada uma incidência 93% maior, o que de certa forma encontra ressonância na literatura. Uma vez que a partícula viral do HIV é capaz de expressar antígenos do sistema ABO do seu hospedeiro, no momento da contaminação entre um indivíduo e outro a presença de anticorpos que neutralizem os antígenos do sistema ABO poderia conferir algum grau de proteção e neutralização destas partículas, considerando a compatibilidade sanguínea dos indivíduos envolvidos no ato de contágio. Conclusão: Sendo assim, podemos sugerir uma associação importante entre indivíduos dos tipos A, B e AB e a soropositividade, quando em comparação ao grupo O, que exibiu certo grau de proteção. Portanto, nossos dados corroboram com a evidência literária disponível, tanto do ponto de vista de possível mecanismo para esta influência do sistema ABO na infectividade, quanto do ponto de vista do que é verificado epidemiologicamente.
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Ver maisSJR é uma métrica de prestígio baseada na idéia de que todas as citações não são iguais. SJR utiliza um algoritmo similar ao page rank do Google; é uma medida quantitativa e qualitativa ao impacto de uma publicação.
Ver maisSNIP permite comparar o impacto de revistas de diferentes campos temáticos, corrigindo as diferenças na probabilidade de ser citado que existe entre revistas de distintas matérias.
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