Objetivos: Estudo chinês relatou leucopenia na admissão hospitalar, a custas de linfopenia moderada a grave e trombocitopenia leve e demonstrou que pacientes que irão necessitar de UTI apresentam linfopenia e anemia e tendem a fazer neutrofilia na internação. Entretanto, nesse estudo o grupo de pacientes em UTI era de apenas 9 (vs. 58 não UTI). Assim, pouco se sabe sobre o impacto das alterações hematológicas nos pacientes com COVID-19. O objetivo deste estudo é avaliar se parâmetros hematológicos como anemia, leucopenia, leucocitose, neutropenia, neutrofilia, linfopenia, plaquetopenia, plaquetose e eritroblastose, além de ferritina e D-dímero, correlacionam-se com mortalidade nos pacientes que necessitam internação por COVID-19. Materiais e métodos: Estudo retrospectivo, consecutivo, baseado na revisão de dados clínicos e laboratoriais. Dos 139 pacientes que internaram no HUB-UNB/Ebserh com COVID-19 no período de 16/04/2020 a 09/08/2020, 31 foram excluídos por ainda estarem internados e 5 altas por falta de dados. Os parâmetros de hemograma, ferritina e d-dímero foram comparados entre os 53 pacientes que faleceram e os 50 que tiveram alta no mesmo período. Foi realizada análise univarida por Mantel-Haenszel e multivariada por regressão logística pelo STATA12.0. Resultados: A mediana de idade foi significativamente superior no grupo dos óbitos (67,8 vs. 52,8 anos, p = 0,0004) e nos óbitos masculinos (68,8 vs. 50,6 anos, p = 0,0006). Entre os óbitos, 5,7% (< 30 anos), 9,4% (< 40 anos), 15,1% (< 50 anos) e 32% (< 60 anos). Os pacientes com > 60 e > 70 anos, tiveram 3,17 e 4,34 vezes mais risco de morrer do que ter alta. A ocorrência de menores níveis de hemoglobina foi significativamente maior no grupo óbitos (mediana 7,1 vs. 9 g/dL, p = 0,0131). Pacientes com eritroblastose (64% óbitos vs. 18% alta) tiveram 8,6 vezes mais risco de morrer (p < 0,001), independente do sexo. Pacientes com eritroblastos circulantes tiveram 8,2 vezes mais chance de serem intubados (p = 0,0001). Leucocitose, neutrofilia e plaquetopenia ocorreram significativamente mais no grupos óbitos (p = 0,0003, p = 0,0046 e p = 0,0002). Linfopenia também foi mais frequente nos óbitos (p = 0,0157). A plaquetose foi um fator significativamente relacionado com a alta (p=0,0006) e alta feminina (p = 0,0090). Pacientes com d-dímero maior que 4 vezes o normal tiveram 3,5 vezes mais risco de morte (p = 0,0435). Ferritina elevada não se correlacionou com maior mortalidade. Intubação ocorreu em 100% dos óbitos e 38% das altas e hemodiálise em 62,3% dos óbitos e 16% das altas. Na análise multivariada por regressão logística dos 9 fatores com significância na análise univariada, apenas os fatores eritroblastose (p = 0,044), leucocitose (p = 0,002) e plaquetose (p = 0,005) foram fatores prognósticos independentes. Discussão: Diferentemente da literatura, neste estudo a linfopenia não foi fator prognóstico de mortalidade na análise multivariada. Esse é o primeiro trabalho de nosso conhecimento a correlacionar a eritroblastose como fator independente de risco para mortalidade. A leucocitose apesar de previamente descrita no curso da COVID-19, não havia sido implicada como fator de risco de mortalidade, nem a plaquetose havia sido implicada como fator protetor. Conclusão: Para pacientes que necessitaram internação, a eritroblastose e leucocitose foram fatores prognósticos independentes associados à mortalidade nos pacientes com COVID-19, enquanto plaquetose foi um fator prognóstico independente protetor.
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