Objetivos: O presente estudo objetiva analisar o estado inflamatório sistêmico e pró-trombótico da COVID-19, com possível desenvolvimento de tromboembolismo venoso e outras complicações, e o uso de tromboprofilaxia no manejo da doença. Materiais e métodos: Estudo de revisão bibliográfica de natureza descritiva. Foi realizada busca ativa nas plataformas Scielo e PUBMed, com eleição de 32 artigos publicados de 2004 a junho de 2020 com os descritores: “Anticoagulants (therapy)”, “Thromboembolism”, “Covid-19”, “Anticoagulation”, “Tromboembolismo”, “Covid-19 e Tromboembolismo”. Resultados: Pacientes com SARS-CoV-2 apresentaram valores menores de antitrombina (85% vs. 99%; p < 0.001) e tempo de atividade da protrombina (81% vs. 97%; p < 0.001), e valores aumentados de D-dímero (10.36 vs. 0.26 ng/L; p < 0.001), produtos de degradação da fibrina/fibrinogênio (33.83 vs. 1.55 mg/L; p < 0.001) e fibrinogênio (5.02 vs. 2.90 g/L; p < 0.001) em comparação a outros pacientes, além dainterleucina 6 e aumento da força do coágulo. Com relação ao risco de desenvolvimento de tromboembolismo, a prevalência em pacientes hospitalizados variou de 25 até 53%, além de muitos classificados de alto risco pelo escore de Padua. A autópsia de pacientes com COVID-19 apresentaram principalmente trombose venosa profunda, sendo embolia pulmonar causa direta de muitas das mortes, além da presença de trombos em microvasculatura de diversos órgãos e grandes artérias pulmonares, e maior número de megacariócitos. Em relação a profilaxia de eventos tromboembólicos, os medicamentos mais relatados foram heparina, concentrado de antitrombina e clopidogrel, sendo a heparina o fármaco mais utilizado e mais descrito na literatura pesquisada. Discussão: Pacientes com COVID-19 apresentaram maior risco de desenvolver tromboembolismo venoso (TEV) e outras complicações se comparado aos pacientes hospitalizados em geral, devido ao estado pró-trombótico gerado pela própria infecção. Nesses pacientes, o uso de anticoagulantes profiláticos mostrou-se eficiente em diminuir o risco de TEV e outras complicações. Porém, é importante atentar para a utilização dos antitrombóticos como antiagregantesplaquetários e/ou anticoagulantes e sua interação com fármacos em teste usados no tratamento da COVID-19 (Remdesivir, Lopinavir/ritonavir, azitromicina), além do maior risco de sangramento no uso. Mesmo os estudos sendo recentes, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e outros órgãos indicam a profilaxia farmacológica em adolescentes e adultos graves com COVID-19 sem contraindicações com heparina de baixo peso molecular (preferencialmente), e para aqueles com contraindicações, profilaxia mecânica. Já a manutenção da profilaxia de TEV após alta domiciliar é indicada apenas em casos especiais por aumentar o risco de sangramentos graves. Conclusão: O desenvolvimento do vigente trabalho permitiu analisar o efeito trombótico ocasionado pela COVID-19 e suas complicações, bem como os benefícios de medicamentos tromboprofiláticos como heparina e clopidogrel. Ficou evidente a necessidade de mais pesquisas sobre o tema, bem como estabelecer novos protocolos de profilaxia e tratamento visando diminuir as complicações e a mortalidade em pacientes com COVID-19.
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