Objetivos: Descrever os aloanticorpos anti-eritrocitários observados em fetos e/ou neonatos acometidos pela doença hemolítica perinatal. Materiais e métodos: Foi realizado um levantamento bibliográfico a partir das bases de dados PubMed, Scielo e Lilacs, por meio dos descritores: Hemolytic disease of the fetus and newborn e Fetal erythroblastosis. Foram selecionados estudos publicados nos anos de 2015 a 2020, limitado aos idiomas inglês e português, incluindo relatos de caso, estudos retrospectivos transversais e estudo de coorte que identificaram os sinais clínicos, tratamento perinatal e aloanticorpo implicado na DHPN, sendo excluídos artigos de revisão, artigos publicados fora do recorte temporal, que não demonstrem a especificidade do anticorpo e não abordem a temática. Resultados: Foram encontrados 13.312 artigos. Após limitar os estudos com base nos critérios de exclusão, 48 artigos atenderam os critérios de elegibilidade, os quais juntos envolviam 1.839 neonatos com DHPN. O aloanticorpo anti-D (40%) foi o mais prevalente, seguido de anti-A (32%), anti-B (11%), anti-K (7,72%), anti-c (2,30%), anti-E (1,40%), anti-C (1%), anti-M (0,40%), anti-G (0,20%), anti-Dib (0,16%), anti-Jka e anti-U (0,10%), anti-e, anti-At, anti-Jk3, anti-Wra, anti-Fya, anti-Ku, anti-Rd, anti-Jkb, anti-Vel, anti-Cw, anti-KEAL, anti-SARA, todos com 0,05% cada, e ainda associações de anti-D+anti-C (0,70%), anti-c+anti-E (1,20%), anti-D+anti-E (0,16%). Foram observados ainda, anti-D+anti-Lea, anti-C+anti-G, anti-K+anti-Jka, anti-L+anti-Lea, anti-K+anti-Leb com 0,05% cada. Na maioria dos estudos, o neonato apresentou curso clínico de hiperbilirrubinemia e anemia, com tratamento de fototerapia e/ou exsanguíneo transfusão, em alguns casos foi necessário transfusão intrauterina. Em 1,70% (31/1839) os neonatos eram hidrópicos e 0,27% (5/1839) ictéricos, um caso (0,05%) de Kernicterus e ainda em 1,03% (19/1839) foi constatado morte perinatal. Discussão: A aloimunização materna implica na formação de aloanticorpos IgG que ao atravessarem a placenta são dirigidos contra os eritrócitos fetais na presença do antígeno correspondente, ocasionando hemólise e sérias consequências ao feto/neonato. Nesta revisão, o anti-D foi o mais frequente o qual é o mais comum envolvido e causa DHPN grave de acordo com a literatura, todavia, outros aloanticorpos foram observados ainda que menos frequente. Os neonatos com anti-D 10/1839 (0,54%), anti-K 8/1839 (0,43%) e anti-KEAL 1/1839 (0,05%) evoluíram a óbito, este último é raro e quando formado com o antígeno correspondente ocasiona casos graves. Ademais, anticorpos ABO estavam presentes, embora sejam predominantes IgM, há casos de anticorpos ABO de classe IgG que podem causar incompatibilidade materno-fetal geralmente leve. Chama-se atenção para anticorpos clinicamente significativos além do anti-D que causam DHPN leve a moderada e ocasionalmente grave. A DHPN é responsável por 0,1% de morte e morbidade perinatal no Brasil, que pode ser evitada com a atuação de profissionais da saúde a partir do conhecimento científico aplicado na prática clínica. Conclusão: O anti-D ainda é o mais frequente envolvido, contudo, outros aloanticorpos foram observados como causa de DHPN grave. Evidências científicas acerca dos antígenos e anticorpos envolvidos é imprescindível, a fim de promover medidas profiláticas, como a triagem de anticorpos no pré-natal, em especial nas gestantes de alto risco, contribuindo para o aprimoramento do cuidado perinatal.
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