Objetivos: A disseminação rápida e global do novo SARS-CoV-2 tornou a identificação de fatores de risco uma prioridade nas políticas públicas. Já foram estabelecidos alguns destes riscos como idade, sexo, diversas doenças crônicas e alterações laboratoriais (SCHI et al., 2020). A associação de grupo sanguíneo e doenças deve sempre ser cautelosamente investigada porque a frequência de grupos sanguíneos varia entre as populações. Dessa forma, o objetivo deste estudo é avaliar os grupos sanguíneos ABO/Rh(D), sexo e idade dos pacientes com diagnóstico de COVID-19 em um hospital de referência, bem como a necessidade transfusional desses indivíduos. Material e métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo com análise de prontuário eletrônico no sistema Tasy e banco de dados no sistema e-Delphyn do Serviço de Hemoterapia do Hospital São Vicente de Paulo, no município de Passo Fundo/RS. Foram incluídos no estudo pacientes com diagnóstico confirmado de COVID-19 por método de PCR que necessitaram de transfusão de hemocomponentes no período de março a julho de 2020. Resultados: Foram identificados no período estudado 1202 pacientes positivos para coronavirus na instituição e destes 53 (4,5%) necessitaram de transfusão de hemocomponentes, sendo 28 (52,8%) do sexo masculino e 25 (47,2%) do sexo feminino. A média de idade foi de 65 anos (±15,4). Quanto à classificação ABO/Rh(D), 21 (39,6%) eram do grupo sanguíneo A Rh(D) positivo, 20 (37,7%) O Rh (D) positivo, 4 (7,5%) A Rh(D) negativo, 3 (5,7%) AB Rh(D) positivo, 3 (5,7%) O Rh(D) negativo, 1 (1,8%) AB Rh(D) negativo e 1 (1,8%) paciente B Rh(D) positivo. A média de transfusões de concentrado de hemácias foi de 3,75 unidades por paciente (±2,7), de plasma fresco congelado foi de 4,82 unidades (±2,6) e somente um paciente precisou transfundir crioprecipitado. Discussão: Estudos previamente publicados relataram uma possível associação entre o tipo sanguíneo A e um maior risco de infecção e mortalidade por COVID-19, enquanto os tipos O e B foram associados a um menor risco (ZHAO et al., 2020). Encontramos heterogeneidade na distribuição de grupos sanguíneos, sendo que o tipo A Rh (D) positivo foi o mais prevalente entre os pacientes do estudo, corroborando com resultados previamente publicados por outros autores. Nossa população é composta em sua maioria por descendentes europeus, sendo assim há uma prevalência de indivíduos do grupo O Rh (D) positivo em torno de 40%, apesar disso na população avaliada neste estudo houve uma prevalência de indivíduos do grupo A Rh (D) positivo. Quanto a distribuição por sexo os estudos mostram um maior número de indivíduos do sexo masculino (SCHI et al., 2020) de encontro com nosso estudo. Conclusão: Não há como afirmar a associação do grupo sanguíneo A positivo com COVID-19 sem resultados cientificamente comprovados em diferentes populações. É importante ressaltar que mesmo vivendo um momento de pandemia, há necessidade de se manter os estoques de hemocomponentes adequados, para atender a demanda já existente e a necessidade transfusional até mesmo para os pacientes acometidos pela COVID-19.
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