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Vol. 42. Issue S2.
Pages 113-114 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 113-114 (November 2020)
191
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.192
Open Access
TRICOLEUCEMIA E MELANOMA: CASO RARO COM DIFÍCIL MANEJO TERAPÊUTICO NO CONTEXTO DE PANDEMIA PELO CORONAVÍRUS
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L.F.S. Dias, C.L.M. Pereira, I.S.E. Pimentel, V.R.H. Nunes, L.L.C. Teixeira, M.N. Kerbauy, D.C.O.S. Lopes, P.K. Souza, A. Ribeiro, N. Hamerschlak
Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), São Paulo, SP, Brasil
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Tricoleucemia é neoplasia rara, representando 2% de todas as leucemias. Pacientes com tricoleumica clássica apresentam em quase sua totalidade a presença da mutação somática BRAF V600E, a qual leva ao aumento da expressão de genes envolvidos com sobrevivência e proliferação celular. A associação de tricoleucemia e melanoma maligno já foi descrita em literatura, uma vez que apresentam como fator comum a mutação BRAF V600E, presente em até 50% dos casos de melanoma. As implicações terapêuticas do tratamento simultâneo de tricoleucemia e melanoma no contexto da pandemia do coronavírus, contudo, nunca foi relatada. Apresentamos o caso clínico de paciente do sexo masculino, de 50 anos com história de citopenias há anos (neutropenia leve e plaquetopenia), não investigada. Paciente foi admitido com infecção pulmonar grave e hepatoesplenomegalia, com baço palpável à 7 cm do rebordo costal esquerdo. PET-CT oncológico revelou broncopneumonia em atividade e alterações reacionais no baço e em linfonodos mediastinais. Mielograma evidenciou acentuada hipocelularidade e aumento de elementos intersticiais, linfocitose relativa e presença de 21,6% de células linfóides maduras com prolongamentos citoplasmáticos, compatível com tricoleucemia. Imunofenotipagem (expressão antigênica positiva e significativa de CD10, CD11c, CD22, CD23, CD25, CD79b, CD103, CD123, CD200, FMC-7, IgM e Kappa) e biópsia de medula óssea (Infiltração intersticial maciça por linfócitos pequenos, de citoplasma indistinto substituindo a hematopoiese) reiteraram este diagnóstico. Devido à performance status do paciente (emagrecido) e ao grau de comprometimento pulmonar, optado por tratamento inicial com Rituximab semanal. Um mês após a última dose de Rituximab, apresentou lesão em couro cabeludo, que foi ressecada e cujo diagnóstico foi compatível com melanoma maligno cutâneo. Evoluiu com infecção de sítio cirúrgico por Klebsiella pneumoniae (KPC, sensível somente a Polimixina, Amicacina e Ceftazidima-avicbactam) em cultura de secreção, tratada com Ceftazidima-avibactam por 15 dias. O planejamento terapêutico após melhora da performance status seria terapia com Cladribina e, apesar do paciente ter melhorado, em virtude do contexto atual de pandemia pelo coronavírus e do risco aumentado de infecções devido à imunossupressão causada pela Cladribina, optado por continuar tratamento com Rituximab agente único. A tricoleucemia permanece doença incurável com aproximadamente 50% de recaída nos primeiros 5 anos após o tratamento de primeira linha. O ideal é que seja pesquisada a mutação BRAF V600E nos pacientes com recaída, por representar alvo terapêutico com o uso dos inibidores de BRAF, como o Vemurafenib ou Dabrafenib que já têm seu papel estabelecido no tratamento de melanoma avançado com a mutação presente. Trata-se portanto de paciente com diagnóstico de tricoleucemia que desenvolveu melanoma de couro cabeludo no contexto de pandemia pelo coronavírus. Discutiremos neste relato a abordagem diagnóstica e terapêutica frente a presença concomitante de 2 ou mais neoplasias com origem relacionada (mutação BRAF V600E) e as implicações da pandemia pelo coronavírus no tratamento das neoplasias hematológicas.

Palavras-chave: Tricoleucemia; Melanoma; Mutação BRAF V 600 E; Pandemia Coronavírus.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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