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Vol. 42. Issue S2.
Pages 46-47 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 46-47 (November 2020)
75
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.076
Open Access
INFLUÊNCIA DE BIOMARCADORES HEMOLÍTICOS NA OCORRÊNCIA DE ÚLCERA DE PERNA EM INDIVÍDUOS COM DOENÇA FALCIFORME
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E.D.C. Santosa, S.P. Carvalhob, R.P. Santiagob, C.C. Guardab, L.C.G.C. Luiza, C.M. Kanetoa, E.V. Adornoc, T.C.C. Fonsecaa,d, M.S. Gonçalvesb, M.M. Aleluiaa
a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus, BA, Brasil
b Laboratório de Investigação em Genética e Hematologia Translacional (LIGHT), Instituto Gonçalo Moniz (IGM), Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Salvador, BA, Brasil
c Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, BA, Brasil
d Centro de Referência em Doença Falciforme de Itabuna (CERDOFI), Itabuna, BA, Brasil
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A doença falciforme (DF) é caracterizada pela presença da hemoglobina S, em homozigose (HbSS) se constitui a anemia falciforme (AF) e, associada a outras hemoglobinas variantes, como a hemoglobina C, é definida por hemoglobinopatia SC (HbSC). A fisiopatologia da DF decorre de hemólise intravascular, destruição de hemácias, resultando em vasculopatia e complicações clínicas. Nesse contexto, as úlceras de perna constituem lesões cutâneas na região maleolar em 20% de indivíduos brasileiros com DF. Entretanto, os fatores associados à etiopatogenia dessas lesões não estão completamente compreendidos. Diante do exposto, esse estudo objetivou avaliar biomarcadores de hemólise como fatores de associação à ocorrência de úlceras de perna em pacientes com DF. Esse estudo de corte transversal descritivo foi realizado no Centro de Referência a Doença Falciforme de Itabuna, Bahia, no período de julho a novembro de 2019. Todos os pacientes incluídos nessa casuística foram diagnosticados com DF (AF ou HbSC) e estavam em estado estável, fora de terapia transfusional. Após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, foram coletados 15mL de sangue periférico e analisado pelos analisadores automatizados SYSMEX KX21 e COBAS para os seguintes biomarcadores: hemácias, hemoglobina (Hb), hematócrito, reticulócitos absoluto, bilirrubina total e frações, lactato desidrogenase (LDH) e aspartato aminotransferase (AST/TGO). As análises estatísticas foram realizadas no programa SPSS versão 20.0 e os valores de p<0,05 foram considerados significativos. Nesse estudo foram incluídos 63 pacientes com DF, sendo 16 pacientes com úlcera de perna (UP+) e 47 sem presença ou história prévia da úlcera (UP-). De acordo com as análises realizadas, observou-se um perfil hemolítico exuberante nos pacientes UP+: hemácias (106/μL) 2,62±0,95 (p ≤ 0,001); hemoglobina (g/dL) 9,01±2,47 (p=0,037); hematócrito (%) 27,2±7,34 (p=0,008); reticulócitos absoluto 82.229±53605 (p=0,004); LDH (U/L) 763,19±347,95 (p=0,021); bilirrubina total (mg/dL) 2,88±2,20 (p=0,024); bilirrubina indireta (mg/dL) 2,56±2,16 (p=0,022); AST/TGO (U/L) 55,81±39,88 (p=0,025). O processo hemolítico intravascular é um fator preponderante da fisiopatologia da DF, o qual resulta em disfunção endotelial, inflamação e vasculopatia. Nesse contexto, a úlcera de perna tem sido associada à hemólise frequente em microvasos que irrigam a região maleolar seguido de danos vasculares e hipóxia tecidual, constituindo um potencial fator etiológico para abertura da úlcera. Os níveis acentuados dos biomarcadores descritos nesse estudo, como LDH, bilirrubina total/indireta, reticulócitos e AST/TGO caracterizam um processo hemolítico evidente em pacientes UP+, enquanto os níveis reduzidos de hemácias, Hb e hematócrito evidenciam a anemia crônica causada pela hemólise frequente, agravando o quadro clínico desses pacientes. Ademais, as úlceras de perna incidiram mais significativamente em pacientes com AF, genótipo caracterizado por taxas hemolíticas mais frequentes: 12 pacientes AF UP+ (p=0,004). Em virtude do exposto, o presente estudo reforça o caráter hemolítico associado à etiopatogenia das úlceras de perna em pacientes com DF.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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