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Vol. 42. Issue S2.
Pages 102 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 102 (November 2020)
171
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.172
Open Access
DOENÇA DE CASTLEMAN ASSOCIADA À POEMS: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO
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G.V.C. Freirea, G.C. Muzzia, M.R. Costaa, I.O. Diasa, M.A. Carneiroa, F.S.D. Santosa, V.C.D. Morob
a Hospital Felício Rocho, Belo Horizonte, MG, Brasil
b Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
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Contexto: O diagnóstico de doença de Castleman permanece um desafio na prática clínica, devido necessidade de análises histopatológicas e imunoistoquímicas de qualidade. Poucos estudos abordaram a sua associação com síndrome de POEMS, sendo necessários exames complementares e terapêutica específica. Relato de caso: Paciente masculino, 64 anos, evoluindo desde julho de 2019 com perda de peso importante (estimado em 10 kg), astenia, lesões hiperpigmentadas em pele, ascite e linfonodos palpáveis em cadeia cervical. Realizado tomografias em janeiro de 2020, com evidência de linfadenomegalia difusa (cadeias mediastinal, axilar, supraclavicular, retroperitoneal, ilíaca e inguinais bilateralmente) de natureza a esclarecer, associada a esplenomegalia. Comorbidades: hipertensão arterial e hipotireoidismo, em uso de olmesartana e levotiroxina. Relato de lesão em parótida esquerda e linfonodomegalia cervical desde 2016, sem propedêutica adicional. Realizada biópsia de linfonodo axilar em fevereiro de 2020, com achados de proliferação linfoide atípica, por vezes com lesão de padrão hialino-vascular, proliferação vascular, frequentes plasmócitos interfoliculares e ausência de malignidade na presente amostra; Tais achados levantam a possibilidade de doença de Castleman, principalmente variante plasmocitária. O estudo imunoistoquímico da peça apresentou atrofia de centros germinativos com hialinização da arteríola centrofolicular e aspecto em “casca de cebola” da zona do manto, além de disposição habitual dos linfócitos B (CD20+) e T (CD5+ e CD3+). Negatividade para bcl2 e HHV 8, sendo os achados consistentes com doença de Castleman variante hialino-vascular. Outros exames complementares: eletroforese de proteínas com pico monoclonal em região de gamaglobulina, imunofixação sérica com padrão monoclonal IgG/lambda, líquido ascítico negativo para neoplasia, ecocardiograma com função sistólica preservada, hipertrofia de VE e hipertensão arterial pulmonar importante (67 mmHg), sorologia para HIV negativa, anti-TPO positivo, ultrassom de abdome com esplenomegalia e sinais de hipertensão portal e eletroneuromiografia de membros superiores com síndrome do túnel do carpo moderada, sensitiva motora, mielínica primária. Diante dos achados de neuropatia periférica, esplenomegalia, endocrinopatia, desordem plasmocitária monoclonal e lesões de pele, é provável o diagnóstico de síndrome de POEMS associada à doença de Castleman, sendo assim, iniciado o tratamento com quimioterapia ambulatorial (CTD – ciclofosfamida, talidomida e dexametasona). Conclusão: O quadro descrito elucida a necessidade de diversos exames complementares para diagnosticar essas duas doenças, ainda que apresente quadro clínico sugestivo. Em concordância com os relatos de caso da literatura, em apenas 15% dos casos a síndrome de POEMS está associada ao Castleman. A ocorrência de hipertensão arterial pulmonar como complicação respiratória da síndrome também é pouco frequente. A propedêutica adicional é de extrema importância após o diagnóstico histopatológico de Castleman, pois a terapia utilizada varia de acordo com o seu subtipo, sendo neste caso, a quimioterapia determinante para o desfecho favorável do paciente.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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