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Vol. 42. Issue S2.
Pages 255-256 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 255-256 (November 2020)
426
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.428
Open Access
DERRAME PLEURAL MIELOMATOSO: REVISÃO DE LITERATURA
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A.C.D. Amaroa, R.B.C. Fagundesa, C.C.G. Macedob
a Universidade Potiguar (UnP), Natal, RN, Brasil
b Oncology Group, Natal, RN, Brasil
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Objetivos: O mieloma múltiplo é um distúrbio neoplásico hematológico caracterizado pela proliferação desregulada e monoclonal de plasmócitos na medula óssea, com possível extensão para outros locais, incluindo o tórax. A presença de derrame pleural é rara e seu diagnóstico etiológico requer atenção dos profissionais de saúde durante a história clínica. O objetivo do presente trabalho é abordar o derrame pleural mielomatoso em pacientes com histórico de mieloma múltiplo. Material e métodos: A pesquisa foi realizada por meio de revisão bibliográfica que versasse sobre a temática nas bases de dados científicas PubMed e Medline, com critérios de inclusão artigos publicados entre 2010 e 2020 e descritores “Multiple Myeloma”e “Pleural effusion”. Resultados: A partir dos critérios de inclusão, foram encontrados 96 artigos, dos quais 12 foram selecionados de acordo com a sua relevância para o trabalho, incluindo 3 relatos de casos, 5 artigos originais e 4 artigos de revisão. Discussão: O mieloma múltiplo (MM) possibilita o aparecimento de lesões osteolíticas, anemia, supressão da hematopoiese, insuficiência renal e instalação da deficiência imunológica. O acometimento torácico, embora raro, pode manifestar-se como lesões ósseas, plasmocitomas extramedulares e infiltrações pulmonares, em especial na forma de derrame pleural. Raramente as células do MM são encontradas em locais extramedulares. Nesse sentido, o derrame pleural mielomatoso pode ser secundário à proliferação anormal de células plasmáticas de um plasmocitoma extramedular na parede torácica, por disseminação de lesão óssea adjacente ou ainda por invasão pleural direta. O quadro clínico é majoritariamente sintomático, com manifestações clínicas de dispnéia e dor torácica. Embora incomum, esse distúrbio associa-se a um pior prognóstico, apresentando mediana de sobrevivência de 1,5 a 3 meses após o seu aparecimento. Os critérios diagnósticos são: presença de células plasmáticas atípicas no líquido pleural com evidência de monoclonalidade, observadas pela biópsia ou aspirado pleural, ou demonstração de proteínas monoclonais no líquido pleural por eletroforese. A análise bioquímica do líquido pleural frequentemente demonstra exsudato, resultante do aumento da permeabilidade das paredes dos capilares, com extravasamento de proteínas e outros constituintes séricos. Nesse sentido, o diagnóstico etiológico requer atenção na história clínica, de modo a descartar causas comuns como doenças infecciosas, insuficiência cardíaca, insuficiência renal ou amiloidose, seguido da realização da citologia do líquido pleural e, eventualmente, de outros exames complementares como biópsia pleural e broncoscopia. Do ponto de vista imaginológico, a tomografia computorizada do tórax auxilia na descrição morfológica das lesões pleuro-parenquimatosas, que podem ser ocultadas pelo derrame pleural. Não existe consenso sobre o tratamento, algumas literaturas sugerem toracocentese terapêutica, inserção de dreno torácico e regimes de quimioterapia mais agressivos. Conclusão: O derrame pleural mielomatoso é uma condição clínica que implica pior prognóstico e deve entrar no diagnóstico diferencial de pacientes com quadro clínico sugestivo, sobretudo naqueles com histórico de mieloma múltiplo. Mais estudos são necessários para a construção de um consenso terapêutico, o que justifica a exposição do tema aos profissionais na área da saúde.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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