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Vol. 42. Issue S2.
Pages 306-307 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
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COVID-19 EM PACIENTE PEDIÁTRICO COM ESFEROCITOSE HEREDITÁRIA
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P.S.O.P. Pennaa, T.A.G. Nogueiraa, G.M. Eliaa, T.S. Vilelab, A. Angela, J.A.P. Bragaa
a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil
b Hospital Infantil Sabará, São Paulo, SP, Brasil
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Objetivo: Relato clínico de paciente com diagnóstico de esferocitose hereditária e quadro de hemólise aguda como sintoma principal em vigência de infecção por SARS-CoV-2. Relato de caso: Menino, sete anos de idade, em acompanhamento regular no serviço de referência por diagnóstico de esferocitose hereditária e antecedente de transfusão de concentrado de hemácias em duas ocasiões. Procurou o pronto atendimento por palidez cutânea evolutiva há dois dias, hiporexia, icterícia, cefaléia frontal sem necessidade de analgesia, obstrução nasal e coriza hialina. Negava febre aferida e vômitos. Exame físico: bom estado geral, descorado ++/4, com esplenomegalia, sem alterações hemodinâmicas. Hemoglobina 5,9 g/dL; hematócrito 17%; leucócitos/mm3 7.680 (230 bastões, 4.224 neutrófilos, 2.688 linfócitos); bilirrubina total 6,81 mg/dL; bilirrubina direta 0,68 mg/dL; DHL 40 u/L; VHS 80 mm; Reticulócitos 11,12% (254.800/mm3). Realizada transfusão de concentrado de hemácias (10 mL/kg), com aumento da hemoglobina para 7,3 g/dL, seguida de segunda transfusão. Paciente apresentou pico febril isolado de 37,9°C, e devido a sintomas respiratórios foi coletado PCR- RT para SARS-CoV-2, com resultado positivo. Paciente seguiu estável e recebeu alta hospitalar sem outras intercorrências. Discussão: A esferocitose hereditária é uma anemia hemolítica causada por deficiência de proteínas da membrana eritrocitária, podendo ser quantitativa ou qualitativa. Essa deficiência leva a instabilidade do citoesqueleto, podendo causar hemólise desencadeada por quadros febris, hipóxia ou infecções virais. O quadro clínico e alterações fenotípicas são variáveis, desde assintomático a hemólise crônica. Em 2020, a pandemia causada pelo SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19 (Coronavírus Disease 2019), desencadeou a necessidade de diferentes estudos permitindo evolutivamente o conhecimento mundial sobre o vírus e suas consequências. Estudos clínicos têm mostrado que, em crianças, o quadro clínico costuma ser leve, com proporcionalmente poucos casos necessitando de internação quando comparados aos adultos. Neste relato, paciente com quadro respiratório discreto, história prévia de quadro clínico leve da doença de base, evoluiu com hemólise significativa e necessidade de internação para transfusão de concentrados de hemácias. A esferocitose hereditária apresenta risco de quadros de hemólise em momentos de estresse celular e infecções virais, já conhecidos e descritos, a infecção pelo coronavírus provavelmente precipitou o quadro de hemólise no paciente. Conclusão: Por se tratar de doença nova emergente, pouco conhecimento se tem sobre o quadro clínico de COVID-19 em crianças com anemia esferocítica, o que reforça a importância da atenção com possível evolução para hemólise aguda nesses pacientes em vigência da infecção por SARS-CoV-2.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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