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Vol. 44. Issue S2.
Pages S626-S627 (October 2022)
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Vol. 44. Issue S2.
Pages S626-S627 (October 2022)
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PANCITOPENIA GRAVE SECUNDÁRIA A DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12: RELATO DE CASO
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JP Oliveira, AS Emilhano, JSC Papi, MPS Souza, CBDC Ferreira, GG Pereira, GD Mariano, IPM Oliveira, MLR Barboza, ACB Faria
Universidade do Vale do Sapucaí (UNIVAS), Pouso Alegre, MG, Brasil
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Vol. 44. Issue S2
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Objetivos

Relatar a investigação de pancitopenia.

Material e Métodos

Paciente feminina, 35 anos, admitida no serviço encaminhada da cidade de origem devido episódios de confusão mental, rebaixamento do nível de consciência e redução dos níveis de saturação de oxigênio. Sobreposto ao diagnóstico de pneumonia bacteriana realizado, houve relato de investigação de quadro de anemia crônica há 9 anos com diversas internações e transfusões prévias, além de diabetes de difícil controle. Ao exame físico foram identificados polineuropatia periférica, alopecia e sinovite em joelhos bilateralmente. Em exames laboratoriais foi encontrado coombs direto positivo, bilirrubina indireta discretamente elevada e DHL elevado, proteinúria em urina 24hs, sendo levantada a hipótese diagnóstica de anemia hemolítica autoimune possivelmente secundária a uma colagenose. Iniciou-se com corticoterapia enquanto se aguardava demais exames de investigação (sorologias, provas reumatológicas e dosagem de vitaminas). Paciente não apresentou resposta laboratorial após início da terapêutica, mantendo necessidade de suporte transfusional diário por plaquetas <10.000. Realizada biópsia de medula óssea que evidenciou hipercelularidade das 3 séries, de padrão reacional. Complemento, P anca e C anca resultaram não reagentes, com FAN padrão mitótico 1/80. A dosagem da vitamina B12 resultou <50 pg/mL confirmou o diagnóstico de anemia megaloblástica. Iniciada reposição de vitamina B12 diária por 1 semana, seguida de doses semanais, evoluindo com resolução do quadro clínico e laboratorial.

Discussão

A vitamina B12 não é sintetizada pelo corpo humano, tendo sua origem principalmente a partir da ingestão de produtos de origem animal. Os fatores de risco para sua deficiência são diminuição da absorção no íleo, queda de fator intrínseco (gastrite atrófica, anemia perniciosa ou pós ressecção ileal), deficiência de transcobalamina II, ingestão inadequada (dietas veganas), abuso de álcool, idade maior que 75 anos e uso prolongado de antagonistas histamínicos H2. A pancitopenia grave é uma manifestação menos comum da deficiência de vitamina B12, a característica laboratorial mais encontrada é de anemia macrocítica com presença neutrófilos hipersegmentados, podendo haver outras citopenias leves. A hemólise na deficiência de B12 pode ser tanto extramedular ou intramedular. A hemólise intramedular é mais comum devido à destruição das células megaloblásticas pelos macrófagos. A extramedular geralmente se dá pela hemólise das hemácias megaloblásticas em capilares periféricos (pseudo microangiopatia trombótica). A anemia perniciosa pode estar associada a outras doenças autoimunes, como por exemplo anemia hemolítica autoimune.

Conclusão

O reconhecimento da deficiência da vitamina B12 como causa de pancitopenia pode auxiliar no diagnóstico precoce e evitar investigações desnecessárias com exames complementares e invasivos, além de proporcionar um tratamento correto e reversão do quadro neurológico.

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Hematology, Transfusion and Cell Therapy
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