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Vol. 42. Issue S2.
Pages 148-149 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 148-149 (November 2020)
250
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.252
Open Access
DESFECHO CLÍNICO EM PACIENTES COM LEUCEMIA AGUDA E COLONIZAÇÃO POR BACTÉRIAS MULTI-DROGA RESISTENTE
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G. Matias, M.C.N. Seiwald, C.C.J. Oliveira, D.D.S. Sá, L.S. Gandolpho, F.R. Kerbauy
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil
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Introdução: Pacientes com neoplasias hematológicas tem grande risco de bacteremia por bactérias gram-negativas pelo período prolongado de neutropenia secundária a doença de base e ao tratamento. Porém, Bactérias Multi-droga Resistente (MDR) estão se tornando cada vez mais frequentes nessa população elevando sua morbimortalidade. Objetivo: Avaliar o perfil e o desfecho clínico, incluindo mortalidade, de pacientes com diagnóstico de leucemia aguda e colonização por bactérias MDR. Material e métodos: Análise retrospectiva de 91 pacientes consecutivos com diagnóstico de leucemia aguda no período de janeiro de 2018 a janeiro de 2020 em centro único. Resultados: Foram analisados 91 pacientes. Destes, 56 (62%) foram diagnosticados com leucemia mielóide aguda. Quarenta e quatro (48%) pacientes eram do sexo masculino e a mediana de idade foi de 55 anos (18-85 anos). Observou-se que 45% dos indivíduos eram colonizados com bactérias MDR, sendo a mais prevalente a Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase encontrada em 34 (37%) pacientes, seguida pelas bactérias Enterococcus Resistente a Vancomicina em 7 (7,6%). Dez (11%) dos indivíduos apresentavam colonização por 2 bactérias MDR. Sessenta e oito (75%) dos pacientes receberam tratamento com quimioterapia intensiva, destes 63 (93%) desenvolveram neutropenia no decorrer do acompanhamento, sendo que 3 destes pacientes estavam em uso de profilaxia bacteriana. Trinta e quatro (37%) pacientes com neutropenia febril eram colonizados com bactéria MDR, 20 (22%) tiveram bacteremia confirmada por esta bactéria, 20 (100%) desenvolveram choque e 13 (65%) foram transferidos para UTI, sendo que 10 (50%) evoluíram a óbito. Vinte e sete (30%) pacientes realizaram transplante de medula óssea (TMO) e 16 (60%) tiveram infecção por bactéria MDR durante o TMO, 9 (34%) desenvolveram choque e 6 (26%) foram a óbito. No total, 51 (56%) pacientes foram a óbito e 22 (43%) foram relacionados a infecção pela bactéria MDR. Nos pacientes colonizados por 2 bactérias MDR a mortalidade foi de 60%. No grupo não colonizado por bactérias MDR a mortalidade foi de 28% e as principais causas de óbitos foram infecção e progressão de doença. Discussão: A infecção é a principal causa de morte em pacientes com leucemias agudas e a presença das bactérias MDR é um desafio na prática clínica, já que dificulta o manejo clínico e agrava o prognóstico da doença. Nos pacientes analisados a taxa de colonização com bactérias MDR foi alta (45%) interferindo no desfecho, já que 43% faleceram. Apenas 4% destes pacientes fizeram uso de profilaxia bacteriana, porém, desde 2019, devido à alta taxa de bactérias MDR optamos por suspender a profilaxia bacteriana seguindo dados da literatura que não mostram benefício desta estratégia nos pacientes colonizados. As bactérias MDR são uma realidade em nosso serviço interferindo na sobrevida dos pacientes submetidos ao tratamento para leucemias agudas. Conclusão: As bactérias MDR é um problema de saúde pública aumentando a morbimortalidade em pacientes com neoplasias hematológicas sendo necessário medidas mais efetivas em evitar a colonização dessa população, além de melhorar estratégias visando a diminuição de infecções intra-hospitalares, assim como terapia precoce efetiva.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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