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Vol. 42. Issue S2.
Pages 193 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 193 (November 2020)
323
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.325
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IMPACTO DA UTILIZAÇÃO DO SISTEMA DUFFY NA INVESTIGAÇÃO DE NEUTROPENIA NO AMBULATÓRIO DE HEMATOLOGIA DA FUNDAÇÃO FACULDADE DE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
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G.C. Perim, P.N. Paschoalin, A.A. Garcia
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), São José do Rio Preto, SP, Brasil
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Objetivos: Avaliar o impacto da utilização da fenotipagem para o sistema Duffy como ferramenta no diagnóstico de neutropenia benigna racial (NBR) e avaliar o protocolo institucional de investigação de neutropenia. Materiais e métodos: Estudo realizado por meio da revisão de prontuário de 75 pacientes neutropênicos, seguidos no Ambulatório de Hematologia da Fundação Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto no período de 2015 a 2019. Todos realizaram fenotipagem para o sistema Duffy, incorporada ao protocolo institucional de investigação de neutropenia no final de 2017. Foram preenchidas tabelas com dados epidemiológicos e laboratoriais, sendo as análises estatísticas realizadas no programa SPSS versão 23.0 (IBM). Resultados: Os 75 pacientes estudados apresentavam idade entre 13 e 75 anos. Quanto à autodeclaração racial, 48 eram brancos, 17 pretos, 6 pardos e em 4 não havia declaração no prontuário. As medianas da contagem de leucócitos e de neutrófilos eram respectivamente 2.500/mm3 e 936/mm3. Pacientes Duffy nulo possuíam mediana de leucócitos de 2.830/mm3 e de neutrófilos 864/mm3, enquanto que nos pacientes Duffy não nulo, estas contagens eram 2.815/mm3 e 1.335/mm3. A média da contagem de neutrófilos das amostras Duffy nulo foi significativamente menor que a média das Duffy não nulo (p = 0.0002, teste t), o que não ocorreu na contagem de leucócitos (p = 0.37, teste t). Dos 75 pacientes, 57 (76%) eram fenótipo Duffy nulo, sendo 30 com início do seguimento a partir de 2018. Quanto à investigação da medula óssea (MO), 29,8% (17/57) dos pacientes Duffy nulo foram avaliados. Dos 30 pacientes seguidos a partir de 2018, apenas 3 (10%) realizaram a investigação (2 por plaquetopenia e 1 por neutropenia inferior a 1000/mm3), enquanto que antes de 2018, este índice foi de 52% (14/27). Não há diferença estatística entre as médias da neutropenia nos Duffy nulo antes e após 2018 (p = 0.96, teste t). Quanto ao seguimento clínico, dos 27 Duffy nulo sem investigação da MO a partir de 2018, 26 foram diagnosticados com NBR, sendo 23 acompanhados por uma mediana de 26 meses e 3 perderam seguimento. Discussão: Em nosso serviço, os critérios para diagnóstico de NBR são contagem persistente de neutrófilos inferior a 1.500/mm3 e ausência de infecções frequentes, de causas secundárias de neutropenia, de outras citopenias, esplenomegalia e linfadenopatia. A afrodescendência e a fenotipagem Duffy nulo reforçam o diagnóstico. Ao compararmos as médias de neutrófilos e leucócitos entre os Duffy nulo e não nulo, observamos diferença estatística significante na contagem de neutrófilos, auxiliando no diagnóstico da NBR. A introdução da fenotipagem Duffy, no protocolo de investigação de neutropenia a partir de 2018, auxiliou no diagnóstico de NBR, reduzindo a análise medular dos pacientes Duffy nulo de 52% para 10%, tornando a investigação menos invasiva. A ausência de diferença estatística entre as médias dos neutrófilos antes e a partir de 2018, mostra que provavelmente uma neutropenia mais intensa não foi o motivo de maior invasão entre pacientes antes de 2018. Conclusão: Este estudo aponta para a possibilidade de utilização de protocolo de seguimento clínico com investigação menos invasiva na neutropenia associada a sistema Duffy nulo, demonstrando uma evolução benigna dos pacientes seguidos à nível ambulatorial.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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