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Vol. 42. Issue S2.
Pages 116 (November 2020)
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Vol. 42. Issue S2.
Pages 116 (November 2020)
195
DOI: 10.1016/j.htct.2020.10.196
Open Access
ANEMIA FERROPRIVA EM PACIENTE COM POLICITEMIA VERA
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M.C. Rodrigues, T.M. Pecorari, M.B.C. Tavares, I.V. Rosani, M.G. Cliquet
Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP, Brasil
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Introdução: A policitemia vera (PV) faz parte do grupo das neoplasias mieloproliferativas e decorre, ao menos em cerca de 95% dos casos, da mutação da JAK2 (V617F). Essa mutação leva à proliferação exagerada da série mieloide da medula óssea e em especial da série eritróide. A mieloproliferação leva a poliglobulia, mas também a leucocitose e por vezes plaquetose. São critérios diagnósticos o nível de hemoglobina ou hematócrito elevado, níveis séricos de eritropoetina baixa e a mutação da JAK 2 citada. O paciente com policitemia vera cursa frequentemente com microcitose e hipocromia por deficiência de ferro em razão do consumo deste nutriente para a síntese de hemoglobina aumentada nesses pacientes. Apesar da deficiência de ferro, o paciente com PV apresenta poliglobulia pela intensa proliferação eritróide. A deficiência de ferro tem alta prevalência mundial e anemia por essa deficiência também. As mulheres em idade fértil fazem parte do grupo de risco pela perda menstrual. O caso relatado a seguir se destaca pois não cursa apenas com a deficiência de ferro tão comum na PV, mas cursa com anemia por deficiência de ferro. Objetivo: Relatar o caso de uma paciente adulta do sexo feminino, de 33 anos que se apresentou ao ambulatório de hematologia e foi diagnosticada com PV. Durante o acompanhamento ambulatorial, a paciente evoluiu com uma anemia ferropriva devido à intensa proliferação eritróide somada a sangrias e perda de ferro por sangramento menstrual. Métodos: As informações foram obtidas por meio de entrevista com a paciente, revisão do prontuário, além da análise dos exames aos quais a paciente foi submetida e revisão da literatura. Relato do caso: Paciente APCO, 33 anos, diagnosticada com Policitemia Vera em 2017 (mutação da JAK 2 - V617F). Queixa inicial de tontura, sem histórico de tromboses, e ao exame físico além de estar hipercorada, apresentava esplenomegalia. Hemograma com GV = 6.550.000/mm3, Hb = 14,5 g/dL, Ht = 48,4%, VCM = 73,9 fl, HCM = 22,1 pg, Leucócitos = 10.700 com 8132 segmentados/mm3 e Plaquetas = 334.000/mm3. Paciente recebeu AAS 100 mg/dia e foi submetida a várias sangrias terapêuticas até novembro de 2019. Não quis receber Hydroxiureia pois pretendia engravidar. Nessa época, por manter leucocitose acima de 11.000/mm3, foi iniciado tratamento com Hydroxiureia na dose de 1000 a 1500 mg/dia, mantendo-se assintomática e com bom controle da doença até a consulta de janeiro de 2020. Em abril de 2020, em nova consulta, apresentou-se com sintomas de anemia (cansaço fácil), descorada e hemograma mostrando anemia microcítica e hipocrômica (Hb = 9,0 g/dL, VCM = 72,2 fL e HCM 21,3 pg). Pedidos exames que mostraram perfil de ferro com ferro sérico baixo (18 μL/dL), ferritina baixa (<1 ng/mL) e transferrina elevada (433 mg/dL). A paciente relatava perda menstrual importante, com uso de 7 penso por dia e com ciclos de 5 dias. TP e TTPa normais. Conclusão: O caso da paciente que relatamos, ao contrário do que se espera em uma PV, apresentou anemia pelo baixo estoque de ferro. Essa deficiência ocorreu pela própria PV, somada às sangrias e ainda ao quadro ginecológico ao cursar com hiperfluxo menstrual. Com a ocorrência de anemia, se fez necessária a interrupção do tratamento com hydroxiureia, início da suplementação com ferro e ainda a investigação ginecológica.

Idiomas
Hematology, Transfusion and Cell Therapy

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